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      <language>pt-br</language>
      <pubDate>Tue, 21 Feb 2012 16:41:00 +0100</pubDate>
      <lastBuildDate>Tue, 21 Feb 2012 16:41:00 +0100</lastBuildDate>
      <category><![CDATA[Sombrias Notícias]]></category>
      <category><![CDATA[Artigos]]></category>
      <category><![CDATA[Encontro Sombrias Escrituras]]></category>
      <category><![CDATA[Capas de todos os fanzines lançados:]]></category>
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      <webMaster><![CDATA[contato@sombriasescrituras.net (Sr. Arcano)]]></webMaster>
      <item>
         <title><![CDATA[Saiu o Juvenatrix 133]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/saiu-o-juvenatrix-133/</link>
         <description><![CDATA[
	

	&nbsp;

	Esta edição de Fevereiro de 2012 está recheada de bons contos, matérias sobre metal extremo, artigos sobre ficção científica e terror, e divulgações. Vale a pena dar uma conferida.

	Destaque para a lista de filmes de terror que vieram para as telas de cinema no Brasil.

	Interessados em adquirir este webzine entrem em contato com o e-mail:

	renatorosatti@yahoo.com.br

	&nbsp;
<br />
Sombrias Escrituras - Literatura sombria e Arte obscura<br /><br />
www.sombriasescrituras.net]]></description>
         <pubDate>Tue, 21 Feb 2012 16:41:00 +0100</pubDate>
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         <category>Sombrias Notícias</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
	<img alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001634-0e2830f243/juvenatrix133.png" style="width: 294px; height: 416px;" /></p>
<p style="text-align: center;">
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
	Esta edição de Fevereiro de 2012 está recheada de bons contos, matérias sobre metal extremo, artigos sobre ficção científica e terror, e divulgações. Vale a pena dar uma conferida.</p>
<p style="text-align: center;">
	Destaque para a lista de filmes de terror que vieram para as telas de cinema no Brasil.</p>
<p style="text-align: center;">
	Interessados em adquirir este webzine entrem em contato com o e-mail:</p>
<p style="text-align: center;">
	renatorosatti@yahoo.com.br</p>
<p style="text-align: center;">
	&nbsp;</p>
<br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[As nuances do terror psicológico]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/as-nuances-do-terror-psicologico/</link>
         <description><![CDATA[
	POR: Danilo Souza Pelloso

	&nbsp;

	

	&nbsp;

	Antigamente o terror era composto pelos frenéticos movimentos das lâminas, a cortar membros e dilacerar corpos. Iniciou-se com o filme: O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1973) - Leatherface, um paralelo da vida do serial killer, Edy Gein, com os órgãos femininos guardados por toda a casa.&nbsp;

	&nbsp;

	Assim as pessoas liam as estórias com repulsa, no nauseante sentimento torpe, do movimentar o rosto a contragosto, evitando o olhar das...<br />
Sombrias Escrituras - Literatura sombria e Arte obscura<br /><br />
www.sombriasescrituras.net]]></description>
         <pubDate>Tue, 21 Feb 2012 16:02:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/as-nuances-do-terror-psicologico/</guid>
         <category>Artigos</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p>
	<strong>POR: Danilo Souza Pelloso</strong></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
	<img alt="" height="225" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001633-71d38724f4/poltergeist.jpg" width="225" /></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Antigamente o terror era composto pelos frenéticos movimentos das lâminas, a cortar membros e dilacerar corpos. Iniciou-se com o filme: <em>O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1973) - Leatherface</em>, um paralelo da vida do serial killer, Edy Gein, com os órgãos femininos guardados por toda a casa.&nbsp;</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Assim as pessoas liam as estórias com repulsa, no nauseante sentimento torpe, do movimentar o rosto a contragosto, evitando o olhar das cenas.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Neste caso inexistia o medo, apenas a repulsa pelo alheio sangue, respingado em paredes brancas, do entristecido vermelho.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Com isso, essas estórias situavam equivocadamente no gênero terror, mas deveria ser classificada no gênero policial e horror, já que mesmo sendo cenas grotescas, ausentava-se o terror.</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
<p>
	Normalmente estórias assim, possuíam a leitura interrompida no clímax, pela aversão aos acontecimentos, mas não pela tensão de estar aterrorizado.&nbsp; Com isso década de 70, foi repleta de estórias de confusão entre o gênero terror e horror.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Com a chegada do romance: <em>O EXORCISTA (1973)</em>, de William Peter Blatty, o gênero terror auferiu notoriedade com a presença perturbadora do sobrenatural, que antes de Blatty, adormecia nas sombrias existências dos desconhecidos acontecimentos.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Assim com esses dois filmes, na mesma década, pôde fazer a divisão do gênero terror, do horror e uma brecha para entender o terror psicológico.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Acompanhando a trajetória, surgiu a estória aterradora, principalmente para crianças, realçada no filme: <em>O BRINQUEDO ASSASSINO (1988)</em>, dirigido por Tom Holland, atormentando a mente infantil, com a estória do boneco Chuck, possuído pelo espírito de um assassino, com sua crença oculta.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Em todos os lares existia um boneco, inclusive na minha, havendo possibilidade de grande interferência no desenvolvimento infantil pelo simples fato de trazer na estória o terror psicológico para a infância cuja mente apresenta em continua transformação.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Acredito que o filme <em>Brinquedo Assassino,</em> foi o êxtase do terror psicológico para as crianças. Se soubesse disso em minha infância não assistiria o mesmo, assim como a série: <em>A HORA DO PESADELO - A NIGHTMARE ON ELM STREET (1984), </em>escrito por Wes Craven, e <em>POLTERGEIST (1982)</em><em>, escrito e dirigido por </em>Steven Spielberg.</p>
<p>
	&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
<p>
	Na atualidade, observou-se que o terror não está relacionado com a exposição de sangue, nem de corpos mutilados e sim a conduzir o leitor a possuir o pensamento perturbador do autor da estória, este normalmente familiarizado com os eventos de natureza sobrenatural por ele escrito.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	O desconhecimento do leitor traz em si a tensão, chegando ao clímax da estória, expressando através das cenas principalmente de fatos sobrenaturais o transtorno no momento da leitura pelo leitor, que inicia um olhar do lado temendo a própria morada.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Não há nada mais assustador, que expor o perturbador desconhecido, a quem desconhece.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	A nós escritores, é um brincar infantil, ligando palavras, objetivando apenas o entretenimento do leitor, através da sua tensão no imaginar da cena, trazendo a sensação do aterrador pavor.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Assim houve várias adaptações de contos para o cinema, sempre com o mesmo objetivo como o caso do escritor Stephen King, em O iluminado, Carrie - A Estranha, Cemitério de Animais, entre outros, surgindo estórias maravilhosamente perturbadoras, num terror descrito como psicológico que nos faz tremular as mãos, na tensão da sequência de cenas inimagináveis.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Com isso cada estória tornou-se única, dependendo apenas do sentimento do leitor, que diferem entre si, justamente pelo pensar de quem lê. Se não existir, ao menos, a ideia da perturbação intrínseca, ele concordará que a estória é cansativa de intricado entender, afetando o principal objetivo, que é aterrorizar as humanas mentes.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Assim o terror psicológico tem seus prós e contras.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Quando bem escrito é de provocar transtornos até ao mais cético leitor. Quando escrito de forma equivocada torna-se vulgar aos olhos da incompreensão do leitor.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Com isso, mesmo sendo mais complexo, tenho preferência no escrever de contos psicológicos, com características sobrenaturais, porque sinto no mesmo a capacidade de acender a tensão e o pavor por quem dele se entretém.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Sendo essa a intenção, o proposto é cumprido no dormir em pesadelos pela infância curiosa, e visões distorcidas de vultos que não tocam o chão a flutuar pela casa, no adulto pensar.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Assim o terror cumpre o seu papel, que é apavorar as puras mentes pelo inesperado, não apenas no sangue jorrado em corpos dilacerados, e sim em vultos e vozes das almas a arrastar a todos, para o mundo seu sombrio.<span style="display: none;">&nbsp;</span></p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
	Danilo Souza Pelloso - <a href="http://mailto:danilo_pelloso@hotmail.com" target="_blank"><span style="display: none;">&nbsp;</span><span style="display: none;">&nbsp;</span>danilo_pelloso@hotmail.com</a><span style="display: none;">&nbsp;</span><span style="display: none;">&nbsp;</span></p>
<p style="text-align: center;">
	O autor também escreve no Blog: <a href="http://olhardedesespero.blogspot.com" target="_blank">Um Olhar de Desespero</a></p>
<p style="text-align: center;">
	&nbsp;</p>
<br />
Sombrias Escrituras - Literatura sombria e Arte obscura<br /><br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Saiu a lista de autores selecionados para a Antologia Sombrias Escrituras]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/saiu-a-lista-de-autores-selecionados-para-a-antologia-sombrias-escrituras/</link>
         <description><![CDATA[
	

	Segue abaixo a relação dos 15 (quinze) participantes selecionados para a antologia “Sombrias Escrituras – Volume 1 – Contos Sombrios”:

	
	1.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Ademir Antonio da Silva&nbsp; - Santos - SP
	2.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Edmar Adolpho Kliemann - Cascavel – PR
	3.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Bruno Anselmi Matangrano - São Paulo – SP
	4.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Carmelo Ribeiro do Nascimento Filho - João Pessoa - Paraíba
	5.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Danièle Uglione Fabbrin Casale dos Santos - Caxias do Sul...<br />
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www.sombriasescrituras.net]]></description>
         <pubDate>Wed, 18 Jan 2012 14:58:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/saiu-a-lista-de-autores-selecionados-para-a-antologia-sombrias-escrituras/</guid>
         <category>Sombrias Notícias</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
	<img alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001425-0a4f70b4d9/capa_formatada.jpg" style="width: 242px; height: 342px;" /></p>
<h1 style="text-align: center;">
	<strong>Segue abaixo a relação dos 15 (quinze) participantes selecionados para a antologia “Sombrias Escrituras – Volume 1 – Contos Sombrios”:</strong></h1>
<h1>
	<br />
	1.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Ademir Antonio da Silva&nbsp; - Santos - SP<br />
	2.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Edmar Adolpho Kliemann - Cascavel – PR<br />
	3.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Bruno Anselmi Matangrano - São Paulo – SP<br />
	4.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Carmelo Ribeiro do Nascimento Filho - João Pessoa - Paraíba<br />
	5.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Danièle Uglione Fabbrin Casale dos Santos - Caxias do Sul –RS<br />
	6.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Igor Oliveira - Campos dos Goytacazes – RJ<br />
	7.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Danilo Souza Pelloso - Lucélia - SP<br />
	8.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Luiz Fabrício de Oliveira Mendes - Casa Branca – SP.<br />
	9.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Mari Pereira – Rio de Janeiroo - RJ<br />
	10.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Raphael Thadeu Alexandre dos Santos – São Paulo – SP<br />
	11.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Angelo Tiago de Miranda - São Paulo – SP<br />
	12.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Carla Curci - Curitiba – PR<br />
	13.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Marjory Tolentino - Martinópolis – SP<br />
	14.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Taiane Gonçalves Dias - Centro – SBC – SP<br />
	15.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Vanessa Bosso – Ribeirão Preto – SP<br />
	&nbsp;</h1>
<h1 style="text-align: center;">
	<br />
	Todos os autores devem entrar em contato com o seguinte e-mail: antologias@sombriasescrituras.net<br />
	&nbsp;</h1>
<br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[O Visitante da Penumbra ressurge das sombras]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/o-visitante-da-penumbra-ressurge-das-sombras/</link>
         <description><![CDATA[
	&nbsp;

	Conhecido pelo seu projeto intitulado "Gargula Valzer", que funde o ethereal ao som gótico, Getúlio Silenzio trouxe para os fãs do gênero ingredientes vampíricos a uma música cativante e sombria. Porém, como um ser cercado de mistérios que é e sempre foi, permaneceu um tempo sumido e longe dos que o cercam, deixando uma névoa de dúvidas acerca de seu trabalho e se o mesmo havia terminado.

	&nbsp;

	Mas eis que, alguns anos depois, o Visitante da Penumbra (título de uma das faixas de...<br />
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         <pubDate>Wed, 07 Dec 2011 14:45:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/o-visitante-da-penumbra-ressurge-das-sombras/</guid>
         <category>Artigos</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	<img alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001424-31da232557/silenzio.jpg" style="width: 189px; height: 244px; float: left;" />Conhecido pelo seu projeto intitulado "Gargula Valzer", que funde o ethereal ao som gótico, Getúlio Silenzio trouxe para os fãs do gênero ingredientes vampíricos a uma música cativante e sombria. Porém, como um ser cercado de mistérios que é e sempre foi, permaneceu um tempo sumido e longe dos que o cercam, deixando uma névoa de dúvidas acerca de seu trabalho e se o mesmo havia terminado.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Mas eis que, alguns anos depois, o <em>Visitante da Penumbra</em> (título de uma das faixas de seu álbum "Nec semper lilia florent" - Gargula Valzer) ressurge das sombras com um projeto extremamente inspirado e bem ao estilo sombrio e misterioso de Silenzio.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	O álbum "Frutos da besta humana e lendas divinas" é o primeiro de seu novo projeto intitulado "The wine of Isis", que nos traz a certeza de que mentes inspiradoras como a de Getulio Silenzio não podem parar. O músico, como um artesão de melodias sombrias, está sempre criando e transformando ideias em artefatos de valiosa estima para seus fãs e apreciadores do estilo.</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
	<img alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001423-31fcc32fa8/cd_silenzio.jpg" style="width: 604px; height: 453px;" /></p>
<p style="text-align: center;">
	Álbum "Fruto da besta humana e lendas divinas" - The Wine of Isis</p>
<p>
	&nbsp;</p>
<p>
	Contato: <span class="prs"><span>getuliosilenzio@hotm</span><wbr />ail.com</span></p>
<br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Lançamentos de terror em dezembro na Literata!]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/lan%c3%a7amentos%20de%20terror%20em%20dezembro%20na%20literata%21/</link>
         <description><![CDATA[
	

	&nbsp;

	
<br />
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         <pubDate>Fri, 02 Dec 2011 14:22:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/lan%c3%a7amentos%20de%20terror%20em%20dezembro%20na%20literata%21/</guid>
         <category>Sombrias Notícias</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
	<img alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001421-2007621023/convite.jpg" style="width: 588px; height: 441px;" /></p>
<p style="text-align: center;">
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
	<img alt="" height="720" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001422-7fc5580422/banners_encruzilhada_e_metamorfose.jpg" width="420" /></p>
<br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Encontro de Literatura Fantástica - PE]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/encontro-de-literatura-fantastica-pe/</link>
         <description><![CDATA[
	&nbsp;

	

	Baixar Cartaz

	&nbsp;
<br />
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         <pubDate>Tue, 11 Oct 2011 10:58:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/encontro-de-literatura-fantastica-pe/</guid>
         <category>Sombrias Notícias</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p>
	&nbsp;</p>
<p style="text-align: center; ">
	<img alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001217-b00cab106d/elf.jpg" style="width: 500px; height: 707px; " /></p>
<p style="text-align: center; ">
	<a href="http://files.sombriasescrituras.net/200001216-99d249acc6/elf.jpg">Baixar Cartaz</a></p>
<p style="text-align: center; ">
	&nbsp;</p>
<br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Carpe Noctem - O ponto de encontro dos vampiros]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/carpe-noctem-o-ponto-de-encontro-dos-vampiros/</link>
         <description><![CDATA[
&#160;
&#160;
&#160;<br />
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         <pubDate>Fri, 09 Sep 2011 16:48:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/carpe-noctem-o-ponto-de-encontro-dos-vampiros/</guid>
         <category>Sombrias Notícias</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img width="372" height="508" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001215-f0398f133c/flyer_cn_1.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p><br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Término das inscrições para antologia Sombrias Escrituras foi prorrogado!]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/termino%20das%20inscri%c3%a7%c3%b5es%20para%20antologia%20sombrias%20escrituras%20foi%20prorrogado%21/</link>
         <description><![CDATA[
As inscrições para a antologia Sombrias Escrituras foram prorrogadas para terminarem no dia 13 de dezembro.
Além dos autores já selecionados, quem queria participar e ainda não teve tempo de terminar seu conto, terá uma segunda chance para enviar seu texto e fazer parte dessa publicação sombria!
Maiores informações na página: http://www.sombriasescrituras.net/literatura-sombria/antologias
&#160;<br />
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         <pubDate>Sat, 27 Aug 2011 16:36:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/termino%20das%20inscri%c3%a7%c3%b5es%20para%20antologia%20sombrias%20escrituras%20foi%20prorrogado%21/</guid>
         <category>Sombrias Notícias</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img width="640" height="456" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001165-568f4578cb/Flyer.gif" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">As inscrições para a antologia Sombrias Escrituras foram prorrogadas para terminarem no dia 13 de dezembro.</p>
<p style="text-align: center;">Além dos autores já selecionados, quem queria participar e ainda não teve tempo de terminar seu conto, terá uma segunda chance para enviar seu texto e fazer parte dessa publicação sombria!</p>
<p style="text-align: center;">Maiores informações na página: <a href="http://www.sombriasescrituras.net/literatura-sombria/antologias/" target="_blank">http://www.sombriasescrituras.net/literatura-sombria/antologias</a></p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p><br />
Sombrias Escrituras - Literatura sombria e Arte obscura<br /><br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Lançado o The Funeral of Tears zine nº 6]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/lan%c3%a7ado%20o%20the%20funeral%20of%20tears%20zine%20n%c2%ba%206/</link>
         <description><![CDATA[
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         <pubDate>Sat, 13 Aug 2011 16:30:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/lan%c3%a7ado%20o%20the%20funeral%20of%20tears%20zine%20n%c2%ba%206/</guid>
         <category>Sombrias Notícias</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img style="width: 460px; height: 736px" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001213-e965eea603/funeral_zine.jpg" width="500" height="749" alt="" /></p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p><br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Lançamento da HQ Auto da Barca do Inferno]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/lan%c3%a7amento%20da%20hq%20auto%20da%20barca%20do%20inferno/</link>
         <description><![CDATA[<br />
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         <pubDate>Wed, 03 Aug 2011 12:48:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/lan%c3%a7amento%20da%20hq%20auto%20da%20barca%20do%20inferno/</guid>
         <category>Sombrias Notícias</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img style="width: 609px; height: 396px" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001212-ab54eac51f/Convite_Auto_da_barca_do_inferno_SP_06_08_11.jpg" width="708" height="463" alt="" /></p><br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Universal desiste de produzir "A Torre Negra" devido a alto custo]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/universal-desiste-de-produzir-a-torre-negra-devido-a-alto-custo/</link>
         <description><![CDATA[
&#160;
Após meses de especulações sobre a viabilidade do projeto, a Universal Pictures desistiu de produzir "A Torre Negra", ambiciosa adaptação da saga literária de Stephen King que seria protagonizada por Javier Bardem, informou a edição digital da revista "Variety".
Segundo a publicação, "A Torre Negra" teria um custo muito elevado para os planos do estúdio, que já tem outras duas superproduções em andamento: "47 Ronin" e "Batalha Naval".
A companhia tentará vender o projeto a alguma das...<br />
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         <pubDate>Thu, 28 Jul 2011 17:46:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/universal-desiste-de-produzir-a-torre-negra-devido-a-alto-custo/</guid>
         <category>Sombrias Notícias</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img alt="" width="400" height="611" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001201-262a027245/torre_negra_foto1.jpg" /></p>
<p style="text-align: center">&#160;</p>
<p style="text-align: left">Após meses de especulações sobre a viabilidade do projeto, a Universal Pictures desistiu de produzir "A Torre Negra", ambiciosa adaptação da saga literária de Stephen King que seria protagonizada por Javier Bardem, informou a edição digital da revista "Variety".</p>
<p>Segundo a publicação, "A Torre Negra" teria um custo muito elevado para os planos do estúdio, que já tem outras duas superproduções em andamento: "47 Ronin" e "Batalha Naval".</p>
<p>A companhia tentará vender o projeto a alguma das outras gigantes do setor, como a Warner Bros, como possível destino do projeto devido às boas relações com os produtores da Universal.</p>
<p>"Sabemos que esta é uma tarefa incrivelmente ambiciosa, mas continuamos entusiasmados. Exploraremos todas as vias de financiamento para ver se podemos finalmente fazer o projeto", disse o produtor Michael Rosenberg.</p>
<p>Nos últimos meses, os executivos da Universal estudaram a forma de reduzir os custos de "A Torre Negra" e avaliaram se realmente fazia sentido "seguir adiante" com o projeto.</p>
<p>A ideia inicial consistia em fazer a versão audiovisual dos sete livros de Stephen King em três longas e duas minisséries de televisão.</p>
<p>No caso de a Universal Pictures não iniciar alguma filmagem antes de julho de 2012, os direitos de exploração voltarão para o escritor.</p>
<p>"A Torre Negra" é a particular visão de Stephen King sobre o faroeste, onde mistura a fantasia de um universo mágico com o terror "marca da casa".</p>
<p>Devido a sua magnitude, o projeto chegou a ser comparado com "O Senhor dos Anéis", e teria Javier Bardem como Roland Deschain, um pistoleiro que passou toda sua vida buscando a Torre Negra e que será a última esperança da humanidade para salvar a civilização.</p>
<p>Junto aos longas-metragens e às séries de televisão, fora anunciado um videogame, e já existe uma história em quadrinhos da saga.</p>
<p>&#160;</p><br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Convenção das Bruxas e Via Underground]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/conven%c3%a7%c3%a3o%20das%20bruxas%20e%20via%20underground/</link>
         <description><![CDATA[
&#160;
Convenção das Bruxas &amp; Via Underground
Pela primeira vez juntos em um mesmo evento.
Dia 21/08/2011 Domingo a partir das 18:30
Na Pista o melhor do Gothic/ Dark Wave/ Eletro/ EBM/Post Punk/ Anos 80´s e 90´s
DJ´s Christian Anubis (Convenção das Bruxas) Gago (Via Underground) / Tami (Via Underground) e Viviane Lakini (Convenção das Bruxas)
Apresentação de Dança do Ventre Gótica – by Mirit
Entrada: R$ 10,00 ou R$ 20,00 consumação
Promoção: 
Mulher VIP até as 19hs
Local: Hotel Cambridge...<br />
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         <pubDate>Thu, 28 Jul 2011 15:33:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/conven%c3%a7%c3%a3o%20das%20bruxas%20e%20via%20underground/</guid>
         <category>Sombrias Notícias</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img style="width: 506px; height: 760px" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001211-7fc7080bde/convencao.jpg" width="550" height="794" alt="" /></p>
<p style="text-align: center">&#160;</p>
<h2 style="text-align: center"><font style="background-color: #000000" color="#ffffff" face="Lucida Sans Unicode">Convenção das Bruxas &amp; Via Underground</font></h2>
<h2 style="text-align: center"><font style="background-color: #000000" color="#ffffff" face="Lucida Sans Unicode">Pela primeira vez juntos em um mesmo evento.</font></h2>
<p><b><font style="background-color: #000000" color="#ffffff" face="Lucida Sans Unicode">Dia 21/08/2011 Domingo a partir das 18:30</font></b></p>
<p><font style="background-color: #000000" color="#ffffff" face="Lucida Sans Unicode">Na Pista o melhor do Gothic/ Dark Wave/ Eletro/ EBM/Post Punk/ Anos 80´s e 90´s</font></p>
<p><font style="background-color: #000000" color="#ffffff" face="Lucida Sans Unicode">DJ´s Christian Anubis (Convenção das Bruxas) Gago (Via Underground) / Tami (Via Underground) e Viviane Lakini (Convenção das Bruxas)</font></p>
<p><font style="background-color: #000000" color="#ffffff" face="Lucida Sans Unicode">Apresentação de Dança do Ventre Gótica – by Mirit</font></p>
<p style="text-align: center"><i><b><font style="background-color: #000000" color="#ffffff" face="Lucida Sans Unicode">Entrada: R$ 10,00 ou R$ 20,00 consumação</font></b></i></p>
<p><font style="background-color: #000000" color="#ffffff" face="Lucida Sans Unicode">Promoção: </font></p>
<p><font style="background-color: #000000" color="#ffffff" face="Lucida Sans Unicode">Mulher VIP até as 19hs</font></p>
<p><b><font style="background-color: #000000" color="#ffffff" face="Lucida Sans Unicode">Local: Hotel Cambridge (Tarsila) – Rua Alvaro de Carvalho, 35 metrô Anhangabaú - São Paulo</font></b></p>
<p><font style="background-color: #000000" color="#ffffff" face="Lucida Sans Unicode">Informações: Tel.: 11 88631280(oi) 63861704 (vivo)</font></p>
<p>&#160;</p><br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Livro de Drácula especialmente ilustrado]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/livro-de-dracula-especialmente-ilustrado/</link>
         <description><![CDATA[Por: Sr. Arcano - arcanosoturno@hotmail.com
&#160;
&#160;
Recentemente, fiquei sabendo que a artista Anne Yvonne Gilbert publicou ilustrações para o livro “Drácula”, de Bram Stocker. Ficaram incríveis, ainda mais porque o livro foi publicado e adaptado para suas ilustrações.
&#160;
Mas não é sobre ela que vou falar. Neste artigo quero me referir a outro artista, Joseph Vargo, cuja arte podemos conferir na galeria de nosso site.
&#160;
Esse gênio da arte gótica, autor de diversos projetos, tais...<br />
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www.sombriasescrituras.net]]></description>
         <pubDate>Mon, 28 Mar 2011 14:26:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/livro-de-dracula-especialmente-ilustrado/</guid>
         <category>Artigos</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p><b>Por:</b> Sr. Arcano - arcanosoturno@hotmail.com</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-weight: normal;">Recentemente, fiquei sabendo que a artista <i>Anne Yvonne Gilbert</i> publicou ilustrações para o livro “Drácula”, de Bram Stocker. Ficaram incríveis, ainda mais porque o livro foi publicado e adaptado para suas ilustrações.</span></p>
<p>&#160;</p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-weight: normal;">Mas não é sobre ela que vou falar. Neste artigo quero me referir a outro artista, <b>Joseph Vargo</b>, cuja arte podemos conferir na <a href="products/joseph-vargo/" target="_self">galeria de nosso site</a>.</span></p>
<p>&#160;</p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-weight: normal;">Esse gênio da arte gótica, autor de diversos projetos, tais como o musical instrumental <i>Nox Arcana</i>, está desenvolvendo um livro totalmente decorado e ornamentado para a obra de Bram Stocker. Um dos mais criativos e impressionantes que eu já vi, e que, pelo o que está sendo divulgado pelo artista, será o único exemplar produzido.</span></p>
<p>&#160;</p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-weight: normal;">Um objeto de museu, se assim preferem definir. Mas que, pela criatividade de Vargo, é, sem dúvida, a maior obra prima já realizada para um livro ilustrado sobre Drácula, de Bram Stocker. E falando em museu, o artista tem sua própria galeria montada em uma sala particular, onde o livro vai estar à mostra. Detalhe interessante dessa galeria é que nela Joseph Vargo reúne diversos de seus trabalhos: pôsters, esculturas, cartas de tarô góticas, etc. Tudo ao som ambiente de seu projeto musical sombrio Nox Arcana!</span></p>
<p>&#160;</p>
<p><span class="hps"><span style="font-size: 12pt; font-weight: normal;">A a</span></span><span class="hps"><span lang="PT" style="font-size: 12pt; font-weight: normal;">rte</span></span><span lang="PT" style="font-size: 12pt; font-weight: normal;"> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas">de <span class="hps">Joseph</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">Vargo</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">dá vida</span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">às páginas</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">de</span>ssa edição</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">personalizada</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">de</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">Drácula</span></span><span title="Clique para mostrar traduções alternativas">.</span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas">O artista está se e<span class="hps">sforçando</span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">para criar</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">sua definição</span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">pessoal</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">do</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas">romance <span class="hps">clássico de</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">Bram</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">Stoker</span></span><span title="Clique para mostrar traduções alternativas">, através de ilustrações de sua autoria e técnicas <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">artesanais</span></span><span title="Clique para mostrar traduções alternativas">.</span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">O livro em couro com</span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">ferragens</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">de ligação</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">foi</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">feito à mão por</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas">seu parceiro <span class="hps">Brahm</span></span><span title="Clique para mostrar traduções alternativas">.</span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">Só é uma pena que o livro</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">está sendo feito para uma coleção</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">particular</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas">do artista <span class="hps">e não</span></span> <span title="Clique para mostrar traduções alternativas"><span class="hps">estará à venda</span></span><span title="Clique para mostrar traduções alternativas">.</span></span></span></span></span></span></p>
<p>&#160;</p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-weight: normal;">E que fã não adoraria ter um exemplar desse? O trabalho ainda está sendo produzido, mas o artista já liberou as primeiras imagens, que divulgamos abaixo. Analisando melhor, fica fácil entender porque este objeto tem despertado tanto desejo e interesse nos fãs de Drácula.</span></p>
<p>&#160;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 12pt; font-weight: normal;"><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000988-bd92bbe8ca/livro_dracula1.jpg" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 12pt; font-weight: normal;"><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000989-b82bdb926b/livro_dracula2.jpg" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 12pt; font-weight: normal;"><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000990-e1ae9e2286/livro_dracula3.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000991-dcc94dd441/livro_dracula4.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000992-23b7124b14/livro_dracula5.jpg" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000993-6d7066e6a5/livro_dracula6.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000994-94fa395f44/livro_dracula7.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000995-b3c0ab4bae/livro_dracula8.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000996-c4567c4d05/livro_dracula9.jpg" /></p>
<p style="text-align: center;"><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000997-31d433251f/livro_dracula10.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000998-3d8fe3e877/livro_dracula11.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000999-5ccab5d460/livro_dracula12.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001000-825fd835a0/livro_dracula13.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001001-a7f96a8f35/livro_dracula14.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001002-b5240b61e2/livro_dracula15.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001003-ee41cef3bc/livro_dracula16.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001004-86c2187bbd/livro_dracula17.jpg" /><img height="400" width="533" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200001005-75271761e8/livro_dracula18.jpg" /></p>
<p style="text-align: center;"><b>Sr. Arcano - arcanosoturno@hotmail.com</b></p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p><br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[HQ de "Morella" - conto de Edgar Allan Poe]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/hq-de-morella-conto-de-edgar-allan-poe/</link>
         <description><![CDATA[Não há muito o que dizer sobre essa HQ de Eugênio Colonnese, baseada no conto "Morella" de Edgar Allan Poe. Deixo as conclusões para os leitores.
Pesquisando pela internet encontramos  algumas raridades como essa. E para sorte do leitor de Sombrias  Escrituras, disponibilizo aqui a HQ completa para download. Boa leitura!
&#160;
baixar
&#160;
Sr. Arcano - arcanosoturno@hotmail.com
&#160;<br />
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         <pubDate>Sun, 20 Mar 2011 17:17:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/hq-de-morella-conto-de-edgar-allan-poe/</guid>
         <category>Artigos</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Não há muito o que dizer sobre essa HQ de Eugênio Colonnese, baseada no conto "Morella" de Edgar Allan Poe. Deixo as conclusões para os leitores.</p>
<p style="text-align: center;">Pesquisando pela internet encontramos  algumas raridades como essa. E para sorte do leitor de Sombrias  Escrituras, disponibilizo aqui a HQ completa para download. Boa leitura!</p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p>
<p style="text-align: center;"><a target="_self" href="http://files.sombriasescrituras.net/200000897-a6683a7623/Morella%20HQ.rar">baixar</a></p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p>
<p style="text-align: center;">Sr. Arcano - arcanosoturno@hotmail.com</p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p><br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[A Dor]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/a-dor/</link>
         <description><![CDATA[
Filósofo Arthur Schopenhauer
&#160;
Se quereis a certeza das diferenças entre o prazer e a        dor, comparem a impressão do animal que devora outro, com a impressão do        devorado.&#160;
ScHOPENHAUER
&#160;

&#160; 
&#160;
A VIDA É DOR&#160;
Quem deseja, sofre; quem vive, deseja; a vida é dor.&#160;
Quanto mais elevado é o espírito do homem, mais sofre.&#160;
A vida não é mais do que uma luta pela existência com a certeza de        sermos vencidos.&#160;
A vida é uma incessante e cruel...<br />
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         <pubDate>Fri, 18 Mar 2011 12:01:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/a-dor/</guid>
         <category>Artigos</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img height="452" width="358" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000738-74e9f7564f/schopenhauer.jpg" /></p>
<p style="text-align: center;">Filósofo Arthur Schopenhauer</p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p>
<p style="text-align: left;"><font size="-1">Se quereis a certeza das diferenças entre o prazer e a        dor, comparem a impressão do animal que devora outro, com a impressão do        devorado.</font>&#160;</p>
<div align="right">Sc<font size="-2">HOPENHAUER</font></div>
<p>&#160;</p>
<p><br />
&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>A VIDA É DOR</b>&#160;</p>
<p>Quem deseja, sofre; quem vive, deseja; a vida é dor.&#160;</p>
<p>Quanto mais elevado é o espírito do homem, mais sofre.&#160;</p>
<p>A vida não é mais do que uma luta pela existência com a certeza de        sermos vencidos.&#160;</p>
<p>A vida é uma incessante e cruel caçada onde, às vezes como caçadores,        outras como caça, disputamos em horrível carnificina os restos da        presa.&#160;</p>
<p>A vida é uma história da dor, que se resume assim: sem motivo queremos        sofrer e lutar sempre, morrer logo, e assim consecutivamente durante        séculos dos séculos, até que a Terra se desfaça.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>DEUS, CRIADOR</b>&#160;</p>
<p>Se é certo que um Deus fez este mundo, não queria eu ser esse Deus: as        dores do mundo dilacerariam meu coração.&#160;</p>
<p>Se imaginássemos um demônio criador, ter-se-ia o direito de lhe        censurar, mostrando-lhe a sua obra:&#160;</p>
<p>"Como te atreves a perturbar o sagrado repouso do nada, para criares        este mundo de angústia e de dores?"&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>NOSSO INFERNO</b>&#160;</p>
<p>O inferno de nossa vida supera o de Dante no ponto de que cada um de        nós é o demônio do seu vizinho.&#160; Há também um arquidemônio, a quem os        outros obedecem: é o conquistador, que dispõe os homens uns em frente dos        outros e lhes grita:&#160;</p>
<p>"Vosso destino é sofrer e morrer; portanto, matem-se mutuamente".&#160;</p>
<p>E assim procedem os homens.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>O MELHOR DOS MUNDOS</b>&#160;</p>
<p>Se mostrássemos aos homens as horríveis dores e os atrozes tormentos a        que está constantemente exposta sua existência, tremeriam de espanto; e se        ao mais convencido otimista fizéssemos visitar os hospitais, os lazaretos,        as salas de tortura dos cirurgiões, as prisões, os campos de batalha, os        tribunais de justiça, os sombrios refúgios da miséria, e se por último, o        fizéssemos contemplar a torre de Ugolino, acabaria por reconhecer de que        modo é este "o melhor dos mundos possíveis".&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>NOSSO MUNDO, MODELO DE HORRORES</b>&#160;</p>
<p>Se considerarmos a dificuldade que teve Dante em descobrir o céu e suas        alegrias, logo se verá que classe de mundo é o nosso.&#160; Por quê?&#160;        Porque o nosso mundo nada apresenta de análogo.&#160; E para descrever o        Paraíso viu-se o poeta obrigado a dar parte das notícias que lhe deram os        seus antepassados, sua Beatriz e vários santos.&#160;</p>
<p>Sem dúvida, Dante descobriu muito bem o Inferno.&#160; Por quê?&#160;        Porque achou o assunto e o modelo na realidade do nosso mundo.&#160;        <br />
&#160;</p>
<p><b>A TRAGICOMÉDIA DE NOSSA VIDA</b>&#160;</p>
<p>Vista e examinada minuciosamente de alto e de longe, a vida de cada        homem tem o aspecto de uma comédia; em sua total consideração ou em seus        aspectos mais dignos de apreço, se apresentará como uma contemplação        trágica.&#160;</p>
<p>O afã e o trabalho de cada dia, os desejos e receios cotidianos, as        desgraças de cada hora, os acasos da sorte sempre disposta a nos enganar        são outras tantas cenas da comédia.&#160;</p>
<p>As&#160; aspirações iludidas, as ilusões desfeitas, os esforços        baldados, os erros que completam nossa vida, as dores que se acumulam até        terminar na morte, o último ato, eis a tragédia.&#160;</p>
<p>Parece que o destino quis juntar o escárnio ao desespero, e, fazendo de        nossa vida uma tragédia, não nos permite conservar a dignidade de uma        personagem trágica.&#160;</p>
<p>Por isso é que em todos os atos da vida representamos o lamentável        papel de cômicos.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>DA DOR AO ABORRECIMENTO</b>&#160;</p>
<p>A dor e o aborrecimento são os dois últimos elementos entre os quais        oscila a vida do homem.&#160;</p>
<p>Os homens exprimiram esta oscilação de modo curiosa; depois de haverem        feito do inferno o lugar de todos os tormentos e dores, que deixaram para        o céu? justamente o aborrecimento.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>RIO ABAIXO</b>&#160;</p>
<p>A vida é um mar cheio de escolhos e turbilhões que o homem evita à        força de prudência e cuidados, sem embora desconhecer que, à medida que        avança sem poder retardar a marcha, corre para o definitivo e inevitável        naufrágio, a morte, fim fatal de sua acidentada navegação, é parte ele        muito mais perigoso que todos os turbilhões e escolhos de que conseguiu        escapar.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>DISFARCES DA DOR</b>&#160;</p>
<p>Nossos esforços para banir a dor de nossa vida não conseguem outro        resultado senão o de fazê-la mudar de forma.&#160; Em sua origem tomam o        aspecto da necessidade, cuidado, para atender as coisas materiais da vida,        e quando, após um trabalho incessante e penoso, conseguimos afastar a        horrível máscara da dor neste determinado aspecto, adquire outros mil        disfarces, segundo a idade e as circunstâncias: o instinto sexual, o amor        apaixonado, a inveja, o rancor, os ciúmes, a ambição, a avareza, o temor,        a enfermidade, etc.&#160;</p>
<p>Toma o aspecto triste e desolado do tédio, da sociedade, quando não        encontra outro modo de se apresentar.&#160; E se com novas armas        conseguimos afastá-la novamente, recuperará sua antiga máscara, e a dança        recomeça.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>CONDENADOS À MORTE</b>&#160;</p>
<p>Na primeira mocidade, colocamo-nos perante o destino, como as crianças,        que, em frente ao pano de um teatro, impacientes e alegres, esperam as        maravilhas que virão surgir em cena. É uma felicidade não podermos saber        nada de antemão.&#160;</p>
<p>Para quem sabe o que realmente vai se passar, as crianças são inocentes        condenados não à morte, mas à vida, e que desconhecem ainda a sua        sentença.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>TODOS DESTERRADOS</b>&#160;</p>
<p>Se não fosse a dor, poderíamos dizer que a nossa existência no mundo        não teria nenhuma razão de ser. É um absurdo pensar que a dor, que nasce        da vida e enche o mundo, seja apenas um acidente, e não o próprio        fim.&#160; Cada desgraça pessoal apresenta-se com uma exceção, mas, como        somos todos desgraçados, a desgraça geral é a regra.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>VIVEMOS COMBATENDO</b>&#160;</p>
<p>Na desgraça, pensar em outros que são mais desgraçados, é o nosso maior        consolo: é este o remédio eficaz ao alcance de todos.&#160; Porém, como os        carneiros, que saltam no prado, enquanto o carniceiro faz a sua escolha no        meio do rebanho, assim, em nossas horas felizes, não sabemos que desastre        nos prepara o destino, justamente nesse momento: enfermidade, ruína,        loucura, perseguições, etc.&#160;</p>
<p>Tudo que defendemos, resiste-nos, tudo tem uma vontade hostil que é        preciso vencer.&#160; A história nos diz que a vida dos povos é uma        sucessão de guerras e revoltas; os anos de paz não passam de curtos        entreatos.&#160; O mesmo acontece com a vida do homem, em constante luta        contra as penas ou o aborrecimento, males abstratos, e contra seus        semelhantes.&#160; Em todas as partes e ocasiões temos que travar combate        com um adversário.&#160;</p>
<p>A vida é uma guerra sem quartel, e a morte nos encontra com as armas na        mão.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>O TEMPO, MAIS UM TORMENTO</b>&#160;</p>
<p>A rapidez do tempo, que se conserva atrás de nós como um vigia dos        forçados, é mais um tormento da existência, que nos faz viver        apressadamente sem sossego e sem deixar-nos respirar.&#160;</p>
<p>São poupados somente aqueles que o tempo condenou ao        aborrecimento.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>NECESSIDADE DA DOR</b>&#160;</p>
<p>Todos nós necessitamos sofrer certo número de preocupações, de penas e        misérias, da mesma maneira que um barco tem necessidade de lastro para        conservar seu equilíbrio.&#160;</p>
<p>Se assim não fosse, se súbito nos libertássemos do peso da dor e das        contrariedades, o orgulho do homem o faria em bocados ou pelo menos ele        seria levado às maiores irregularidades e até à loucura furiosa, do mesmo        modo que o nosso corpo rebentaria se repentinamente deixasse de sentir a        pressão atmosférica.&#160;</p>
<p>O quinhão de quase todos os homens durante sua vida resume-se em        pesares, trabalho e miséria, porém, se todas as aspirações humanas se        realizassem, como que se preencheria o tempo?&#160; O que preencheria sua        vida?&#160;</p>
<p>Se os homens vivessem no país das fadas, onde nada exigisse esforço e        onde as perdizes voassem já assadas e recheadas ao alcance da mão, num        país, onde cada um pudesse obter a sua amada sem dificuldade alguma, eles        morreriam de tédio ou se enforcariam, outros despedaçar-se-iam entre si,        causando-se maiores males que os impostos pela natureza.&#160;</p>
<p>E isto demonstra que para nós não há melhor cenário que aquele que        ocupamos, nem melhor existência do que a atual.&#160;</p>
<p>Se pensamos (e só é possível ter-se uma ideia aproximada) na dor, nos        tormentos de todas as espécies que o sol ilumina no seu curso, sentimo-nos        propensos a desejar que a sua luz perca o poder criador da vida, como        acontece com a Lua, e que a superfície do nosso planeta se faça tão gelada        e estéril como a do astro da noite.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>A GRANDE MENTIRA DA VIDA</b>&#160;</p>
<p>Nossa vida é um episódio que perturba, sem nenhuma utilidade, a        serenidade do nada.&#160;</p>
<p>Mesmo aquele que não considera a existência como uma carga, à medida        que passam os anos tem a consciência clara do que a vida é, em todos os        seus aspectos, uma imensa mistificação, para não dizer uma formidável        zombaria.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>O ESPECTADOR SE ABORRECE</b>&#160;</p>
<p>O homem que sobrevive a duas ou três gerações pode ser comparado ao        espectador de um circo, que assiste às mesmas farsas duas ou três vezes        seguidas.&#160; Como a farsa estava calculada para uma única representação        sua repetição não causa efeito no ânimo do espectador, o qual se aborrece        por estarem dissipadas a ilusão e a novidade.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>UMA BELA EXPRESSÃO</b>&#160;</p>
<p>A vida é uma carga enfadonha e aborrecida, uma tarefa que devemos        desempenhar com tanto trabalho, que involuntariamente pensamos no        descanso: e neste sentido a palavra <i>defunctus</i> é uma bela        expressão.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>VITIMAS E ALGOZES</b>&#160;</p>
<p>Povoado por almas torturadas e por diabos que torturam, o mundo é um        imenso inferno.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>A FILOSOFIA NÃO É O CATECISMO</b>&#160;</p>
<p>Ainda ouvirei dizer que a minha filosofia entristece tudo, isto porque        digo a verdade àqueles que só gostariam que eu lhes dissesse: "Deus, Nosso        Senhor fez tudo muito bem".&#160;</p>
<p>Ide à igreja, e deixai os filósofos em paz, ou, pelo menos, não lhes        exijam que ajustem as suas doutrinas ao vosso catecismo.&#160; Recorrei        aos filosofastros e encomendai-lhes teorias ao vosso gosto.&#160; Não há        nada que dê mais prazer ou que seja mais fácil do que perturbar o otimismo        dos que ensinam filosofia.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>A DOR DE VIVER</b>&#160;</p>
<p>Se o ato da geração fosse somente obra de razão e reflexão, em vez de        ser uma&#160; necessidade ou uma voluptuosidade, subsistiria a espécie        humana?&#160; Não sentiríamos piedade pela geração futura, para lhe poupar        a dor de viver, ou, ao menos, não hesitaríamos em impor-lhe a sangue frio        tão pesada carga?&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>INVEJA E COMPAIXÃO</b>&#160;</p>
<p>Não há uma só pessoa que seja verdadeiramente digna de inveja; e        quantas são dignas de compaixão.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>PRANTO, DOR E ABORRECIMENTO</b>&#160;</p>
<p>Nossa razão se obscurece ao considerarmos que as inúmeras estrelas        fixas, que brilham no céu, não tem outro fim senão o de iluminar mundos        onde reinam o pranto, a dor, e onde, no melhor dos casos, só vinga o        aborrecimento; pelo menos a julgar pela amostra que conhecemos.&#160;        <br />
&#160;</p>
<p><b>O MUNDO, LUGAR DE EXPIAÇÃO</b>&#160;</p>
<p>Brama criou o mundo por uma espécie de pecado ou desvario, e permanece        nele para expiar sua falta.&#160; <br />
- Muito bem! - Segundo o budismo,        uma perturbação inexplicável criou o mundo, produzindo-se depois um longo        repouso na beatitude serena, chamada Nirvana, que será conquistada pela        penitência.&#160; Perfeitamente.&#160;</p>
<p>Para os gregos o mundo e os deuses eram a obra de uma necessidade        insondável, explicação admissivel, porque nos satisfaz        provisoriamente.&#160;</p>
<p>Ormuzd combate com Ariman: isto podemos admitir.&#160;</p>
<p>Mas um Deus como esse Jeová, que <i>animi causa</i>, por seu belprazer,        criou este mundo de lágrimas e dores, e que ainda se alegra e se aplaude        de o haver criado, achando-o bom, isso já é demasiado forte.&#160; Sob        êste ponto de vista, podemos considerar a doutrina dos judeus como a        última entre todas as que professam os povos civilizados, sobretudo, sendo        que tomemos em consideração de ser ela a única que não possui qualquer        vestígio de imortalidade.&#160;</p>
<p>Ainda que a teoria de Leibnitz fosse verdadeira, embora se admitisse        que entre os mundos possíveis este é o melhor, essa demonstração não nos        daria nenhuma teodiceia, porque o Criador não se limitou a criar o mundo,        mas também a possibilidade de sua criação: por isso deveria ter criado um        mundo melhor.&#160;</p>
<p>A dor que enche o mundo protesta irada contra a hipótese de uma obra        perfeita devida a um ser infinitamente bom e sábio, e também todo        poderoso.&#160; E, por outra parte, é bem evidente a notória imperfeição,        a burlesca caricatura que é o homem, obra acabada da criação.&#160; Não é        possível explicar essa dissonância.&#160; Quando consideramos o mundo como        obra de nossa própria culpa, e, portanto, como alguma coisa que não pode        ser melhor, as dores e miséria da humanidade são provas em apoio desta        tese.&#160;</p>
<p>Se o mundo é obra de um criador, as dores voltam-se contra ele dando        lugar a cruéis sarcasmos; mas se é obra nossa, a acusação é contra o nosso        ser e a nossa vontade.&#160; Isto nos faz pensar que viemos ao mundo já        viciados, como os filhos de pais gastos pelos desregramentos, e que se a        nossa existência é tão miserável, e tem por desfecho a morte, é porque        assim merecemos, para expiar nossa culpa.&#160; Generalizando, nada é mais        certo: a culpa do mundo é que causa os sofrimentos, e entendemos esta        relação no sentido metafórico, e não no físico e empírico.&#160; Por        isso, a história do pecado original reconcilia-me com o Antigo Testamento;        para mim é a única verdade metafísica que o livro contém,- expressa em        forma alegórica.&#160; A nada se assemelha tanto nosso destino como à        conseqüência de uma falta, de um desejo culpado.&#160;</p>
<p>Para ter orientação na vida, e considerar a vida em seu verdadeiro        aspecto, basta habituar-mo-nos ao pensamento de que este mundo é um vale de        lágrimas, em lugar de penitência; a <i>penal colony</i>, como a definiram        os mais antigos filósofos, e alguns padres da Igreja. (Santo Agostinho,        <i>De civit, Dei;</i> o que em todas as épocas o confirma o bramanismo, o        budismo, Empédocles e Pitágoras.&#160; Cicero, em sua "Fragmenta de        filosofia" conta, que nas antigas iniciações dos mistérios se ensinava:        <i>nos ob aliqua scelera suscepta in vita superiores poenarum luendarum        causa natos esse</i>.&#160; O verdadeiro cristão considera a vida como a        conseqüência de uma falta, de uma culpa, de uma queda.&#160; Se nos        habituássemos a essa idéia, não pediríamos à vida senão o que ela nos pode        dar: receberíamos resignados, como uma lógica, as dores, os contratempos e        desenganos que o mundo nos oferece, pois sabemos que aqui estamos para        suportar a pena de viver, a que nos condenaram.&#160;</p>
<p>Vanini, que achara mais fácil queimar que refutar, diz: <i>Tot,        tantísque homo, re letus miseriis, ut si christianae religioni non        repugnarei, dicere auderem: si daemonis dantur, ipsi, in hominum corpora        transmigrantes, sceleris poenas luunt.</i> (<i>De admirandi naturac        arcanis</i>).&#160;</p>
<p>Não é mister que eu diga o que vale a sociedade de nossos semelhantes;        aqueles estão conscientes que mereciam outra melhor, assim como se sabe        que não é a menor pena do presidiário a sociedade em que ele se        encontra.&#160; Um espírito elevado, uma alma delicada, um gênio pode        sentir a mesma necessidade de isolamento que um nobre prisioneiro que se        encontra na cadeia rodeado de criminosos vulgares.&#160;</p>
<p>Se sempre nos lembrássemos de que viemos ao mundo para expiar uma        culpa, acolheríamos sem surpresa e sem indignação as imperfeições de        nossos semelhantes, os tormentos que aqui sofremos, cuja miserável        constituição intelectual e moral se revela até no rosto.&#160;</p>
<p>A certeza de que o mundo e o homem não podem mudar nos encheria de dó        pelo próximo.&#160; Com efeito, que podemos esperar de tais seres?&#160;</p>
<p>Penso, às vezes, que a melhor maneira dos homens se cumprimentarem em        vez de ser "Cavalheiro, Senhor, <i>Sir</i>", poderiam ser, "companheiro de        sofrimentos,<i> soci malorum</i>, <i>my fellow-sufferer</i>"...&#160;</p>
<p>Por mais irritante que pareça esta expressão, tem mais fundamento que        as usuais, e recorda-nos a paciência, indulgência e amor ao próximo, e,        usada por todos, beneficiaria a cada um.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>A DOR É A ÚNICA POSITIVA</b>&#160;</p>
<p>Do mesmo modo que o rio corre manso e sereno, enquanto não encontra        obstáculos que se oponham à sua marcha, assim corre a vida do homem quando        nada se lhe opõe à vontade.&#160; Vivemos inconscientes e desatentos:        nossa atenção desperta no mesmo instante em que nossa vontade encontra um        obstáculo e choca-se contra ele.&#160;</p>
<p>Sentimos um ato contínuo em tudo o que se ergue contra a nossa vontade, tudo        o que a contraria ou lhe resiste: ou o que é mesmo, tudo o que nos é        penoso e desagradável.&#160;</p>
<p>No entanto, não prestamos atenção à saúde geral do nosso corpo, mas        percebemos ligeiramente aonde o sapato nos molesta; não pensamos nos        negócios e só nos importamos com uma ninharia que nos incomoda.&#160; Isto        quer dizer que o bem-estar e a felicidade são valores negativos, e só a        dor é positiva.&#160;</p>
<p>É um absurdo acreditar o contrário; que o mal é negativo. Ele é        positivo, porque se faz sentir.&#160; <br />
Toda a felicidade, todo o bem é        negativo, e toda a satisfação também o é, porque suprime um desejo ou        termina num pesar.&#160; Acrescentamos a isto que, em geral, nunca sentimos        uma alegria maior que a que sonhávamos, e que a dor sempre a excede.&#160;</p>
<p>Se quereis certeza das diferenças entre o prazer e a dor, comparem a        impressão do animal que devora outro, com a impressão do devorado.&#160;        <br />
&#160;</p>
<p><b>BOLHAS DE SABÃO</b>&#160;</p>
<p>O homem só vive no presente, que se converte no passado, e afunda-se na        morte.&#160; Exceto as conseqüências que podem influir no presente, e que        são filhas de sua vontade, ou de seus atos, a sua vida passada já não        existe.&#160; Devia portanto ser-lhe indiferente que esse passado fosse de        prazeres ou tristezas.&#160;</p>
<p>O presente foge-lhe das mãos, transformando-se no passado.&#160; O        futuro é incerto.&#160; <br />
Fisicamente, o andar não é mais do que uma        queda evitada a cada instante; da mesma maneira a existência é a morte        suspensa, adiada, e a atividade de nosso espírito não é mais que uma luta        constante contra o tédio.&#160;</p>
<p>É pois fatal que a morte alcance a vitória.&#160; Por haver nascido lhe        pertencemos, e durante nossa vida não faz senão brincar com a presa antes        de a devorar.&#160;</p>
<p>E assim como quem faz bolhas de sabão, e apesar da segurança de que        acabará por rebentar, se entretém em fazê-la aumentar de volume, assim        seguimos o curso de nossa existência, prodigalizando-lhe cuidados e        atenções.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>A FELICIDADE NÃO PODE VIVER NO PRESENTE</b>&#160;</p>
<p>A vida é uma constante mentira, quer nas coisas pequenas como nas        grandes.&#160; Quando nos faz uma promessa, não a cumpre, a não ser para        mostrar-nos que era pouco desejável o nosso desejo.&#160; Da mesma maneira        nos engana a esperança quando não se realiza o que esperávamos.&#160;</p>
<p>E se a vida cumpre o que nos prometeu, é só para nos tornar a        tirar.&#160;</p>
<p>A beleza do paraíso, que à distância admiramos, desaparece logo que nos        deixamos seduzir.&#160;</p>
<p>A felicidade está no futuro, ou no passado; o presente é uma pequena        nuvem escura que o vento impele sobre a planície cheia de sol.&#160;        Diante e atrás dela, tudo é luminoso; só a nuvem é que projeta uma        sombra.&#160; <br />
&#160;</p>
<p><b>A VIDA NA PAZ E NA GUERRA, E SUA FINALIDADE</b>&#160;</p>
<p>A vida nunca se apresenta como um mimo que nos é dado gozar, mas sim        como uma tarefa que tem de se cumprir à força de trabalho; disto nasce e        toma origem uma concorrência sem tréguas, uma luta sem fim, uma miséria        geral, uma agitação em que tomam parte todas as forças do espírito e do        corpo.&#160; <br />
Milhões de homens, reunidos em nações, trabalham para o        bem público, trabalhando assim cada um em seu próprio interesse, porém, as        vítimas deste trabalho morrem aos milhares. Às vêzes, por preconceitos        absurdos, outras, por uma política sutil, as nações se aniquilam numa        guerra. É preciso que o sangue do povo corra em abundância para expiar a        culpa de alguns, ou para realizar os caprichos de outros.&#160;</p>
<p>Enquanto reina a paz no mundo, a indústria e o comércio prosperam, as        invenções se multiplicam, os navios sulcam os mares, transportando para        toda parte produtos do mundo, as ondas tragam milhares de homens.&#160; O        tumulto é imenso, enquanto uns se agitam e movem, outros meditam.&#160;</p>
<p>Mas qual é a suprema finalidade de tantos esforços?&#160; Manter, no        caso mais favorável, a vida de seres efêmeros em uma miséria suportável, e        uma ausência relativa de dor que o tédio aceita constantemente, e ademais        a reprodução desses seres, e a renovação de seus esforços.&#160;        <br />
&#160;</p>
<p><b>INDEFESA DO HOMEM</b>&#160;</p>
<p>De todos os seres, o homem é o mais necessitado: só tem vontades e        desejos, um conjunto de centenas de necessidades.&#160; Abandonando a si        próprio, vive na terra sem segurança nenhuma a não ser sua miséria.&#160;        A luta pela vida, cada dia renovada, a necessidade que o constrange, e as        imperiosas exigências materiais, preenchem a sua existência.&#160;</p>
<p>Ao mesmo tempo, outro instinto o atormenta; o de perpetuar a sua        raça.&#160;</p>
<p>Ameaçaado por todos os lados pelos perigos que o rodeiam, usa de sua        prudência sempre vigilante para poder escapar.&#160; Com passo inquieto,        lançando em volta olhares angustiosos, segue o seu caminho em luta        constante com os casos e com seus inúmeros inimigos.&#160; O homem não se        sente seguro entre os da sua raça e nem nos mais longínquos        desertos.&#160; <br />
&#160;</p>
<ul><i>Qualibus in tenebris vitae, quantisque periclis degitur</i>&#160;          <br />
    <i>hocc'aevi, quodcunque est!</i>&#160;          <center>Lucr. 11, 15.</center></ul>
    <p>&#160;</p>
    <p><b>TRABALHAR OU ABORRECER-SE</b>&#160;</p>
    <p>A necessidade imperiosa do homem é assegurar a existência, e feito        isto, já sabe o que fazer.&#160; Portanto, depois disso, o homem se        esforça para aliviar o peso da vida, torná-la agradável e menos sensível:        "matar o tempo", isto é, fugir do aborrecimento.&#160;</p>
    <p>Livres da preocupação de assegurar a existência, e livres seus ombros        de todo fardo moral ou material, eles mesmos constituem sua própria carga,        e sentem-se felizes porque viveram uma hora desapercebida, embora isto        significa que sua vida a qual se esforçam com tanto zelo para prolongá-la,        ficou encurtada pelo mesmo espaço de tempo.&#160; O aborrecimento merece        tê-lo em conta; ele se reflete na fisionomia.&#160;</p>
    <p>O aborrecimento é a origem do instinto social, porque faz com que os        homens, que pouco se amam, se procurem e se relacionem.&#160; O Estado        considerado como uma calamidade pública, e por prudência toma medidas para        o combater.&#160;</p>
    <p>O aborrecimento como o seu extremo oposto, a fome, pode impelir o homem        aos maiores desvarios; o povo precisa <i>panem et circenses.</i>&#160;</p>
    <p>Fundado na solidão e na inatividade, o rude sistema penitenciário de        Filadélfia&#160; faz do aborrecimento um instrumento de suplício tão        terrível, que mais de um condenado tem-se suicidado para fugir dele.&#160;</p>
    <p>A miséria é sofrimento pungente do povo; o desgosto é para os        favorecidos.&#160; Na vida civil, o domingo significa o tédio, e os seis        dias, o desgosto.&#160;</p>
    <p>&#160;</p>
    <p style="text-align: center;"><img height="457" width="300" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000739-8dc768ec16/dor_imagem.jpg" /></p>
    <p style="text-align: center;">&#160;</p>
    <p style="text-align: left;"><b>A FELIC1DADE É UM SONHO</b>&#160;</p>
    <p>Sentimos a dor, mas não a ausência da dor; sentimos a inquietação mas        não a ausência; o temor, mas não a tranquilidade.&#160; Sentimos o desejo        e a aspiração, como sentimos a sede e a fome; mas, apenas satisfeitos, se        acabam, como o bocado que, uma vez engolido, já não existe para o nosso        paladar.&#160;</p>
    <p>Enquanto possuamos os três maiores bens da vida, saúde, mocidade e        liberdade, não temos consciência deles, e só com a perda deles é que os        apreciamos, porque são bens negativos.&#160;</p>
    <p>Somente os dias de tristeza é que nos fazem recordar as horas felizes        da vida passada.&#160;</p>
    <p>À medida que os prazeres aumentam, nossa sensibilidade diminui; o        hábito já não é um prazer.&#160;</p>
    <p>As horas passam lentamente quando estamos tristes; correm rapidamente        quando são agradáveis; porque a dor é positiva e faz sentir sua        presença.&#160;</p>
    <p>O aborrecimento nos dá a noção do tempo e a distração nos faz esquecer.        lsto prova que a nossa existência é mais feliz quando menos a sentimos: de        onde se deduz que mais feliz seríamos se nos livrássemos dela.&#160;</p>
    <p>Uma grande alegria, assim não a julgaríamos se ela não viesse atrás de        uma grande dor.&#160; Não podemos atingir um estado de alegria serena e        duradoura.&#160; Esta é a razão porque os poetas são obrigados a rodear        seus protagonistas de tristes ou perigosas circunstâncias, para no fim os        livrar delas.&#160; No drama e na poesia épica, o herói sofre mil        torturas: nos romances os heróis lutam pondo em relevo os tormentos do        coração humano.&#160;</p>
    <p>"A felicidade não passa de um sonho - dizia Voltaire, tão favorecido        pelo destino? - a única realidade é a dor".&#160;</p>
    <p>E acrescenta: "Há oitenta anos que a experimento e nada faço senão        resignar-me e dizer a mim mesmo que as moscas nasceram para serem comidas        pelas aranhas, e os homens para serem devorados pelos desgostos".&#160;        <br />
    &#160;</p>
    <p><b>O ETERNO ESTRIBILHO</b>&#160;</p>
    <p>Vista exteriormente assombra a insignificância da vida da maioria dos        homens, vista interiormente é sinistra e lúgubre.&#160; Formada por        inúmeras dores e aspirações impossíveis, o homem passa sonhando pela        meninice, mocidade, virilidade e velhice, rodeado de ideias banais.&#160;</p>
    <p>Os homens assemelham-se a relógios que não sabem por que andam: cada        vez que um novo ser nasce, dá-se corda no relógio da vida humana para        seguir repetindo o eterno e gasto estribilho de uma caixa de música, frase        por frase, compasso por compasso, com pequenas variações.&#160; <br />
    &#160;</p>
    <p><b>JOGUETES DA NATUREZA</b>&#160;</p>
    <p>O homem, cada um dos homens, é um sonho a mais, um sonho fugaz criado        pela tenaz e constante vontade de viver, imagem efêmera que o espírito        infinito da natureza desenha na página do tempo e do espaço; impressa nela        alguns instantes logo se desfaz para dar lugar a muitas outras.&#160;</p>
    <p>O mais triste, o ponto que nos deve fazer pensar profundamente, é que a        vontade de viver há de pagar cada uma dessas imagens efêmeras e        caprichosas com o preço de dores profundas e inúmeras, e da morte por        longos anos.&#160;</p>
    <p>Eis porque nos tornamos repentinamente sérios perante um cadáver.&#160;        <br />
    &#160;</p>
    <p><b>O TEATRO E OS ARTISTAS</b>&#160;</p>
    <p>O mundo é um vasto campo de batalha onde os seres somente devorando-se        uns aos outros conseguem conservar e defender a vida; onde todo animal        carnívoro é o túmulo vivo de tantos outros; onde o viver significa sofrer        longos tormentos; onde a capacidade para a dor aumenta na proporção da        inteligência, e atinge, portanto, no homem o mais elevado grau.&#160;</p>
    <p>Os otimistas quiseram adaptar o mundo ao seu sistema, e apresentá-lo        <i>a priori</i> como o melhor dos mundos possíveis.&#160; O absurdo é        evidente.&#160;</p>
    <p>Dizem-me para abrir os olhos e contemplar a beleza do céu iluminado        pelo sol, as montanhas, os vales, as torrentes, as plantas, os animais,        que sei eu! Acaso será o mundo uma lanterna mágica?&#160;</p>
    <p>A contemplação é bela, confesso, mas aí representar, é coisa        completamente diferente.&#160;</p>
    <p>Após o otimista surge o homem que nos fala das causas finais, e elogia        as sábias leis que preservam os astros de se chocarem no seu percurso; que        evitam o mar e a terra de se confundirem, e os mantém separados; que faz        com que nem o frio nem o calor sejam eternos, e que, pela inclinação da        eclítica, não permite a primavera, ser eterna podendo assim amadurecer os        frutos, etc.&#160; Mas tudo isso não são mais que simples <i>conditiones        sine quibus non</i>.&#160; Porque se os planetas devem ter uma existência        mais longa, embora seja o período que demora em chegar a eles a luz de uma        estrela longínqua, e se não desaparecem após o nascimento, era preciso que        as coisas estivessem mal arquitetadas, para que a base fundamental        ameaçasse ruína.&#160; Chegamos aos resultados desta obra tão elogiada, e        observamos os atores que se movimentam nesta, tão sábia e solidamente        construída.&#160; Vemos que a dor aparece juntamente com a sensibilidade,        e à medida que esta se torna inteligente, a dor e o desejo caminham par a        par, e o primeiro chega a tal desenvolvimento que finalmente, a vida do        homem nada mais é que um assunto trágico ou cômico.&#160;</p>
    <p>A sinceridade de certos homens não lhes permite a união ao côro dos        otimistas, e com eles entonar a aleluia.&#160; <br />
    &#160;</p>
    <p><b>A VIDA É UM PESADO GRACEJO</b>&#160;</p>
    <p>Se considerarmos a vida objetivamente, é duvidoso que ela seja        preferível ao nada.&#160; Atrever-me-ia até a dizer que se a reflexão e a        experiência pudessem fazer um acordo, elevariam a voz em favor do        nada.&#160; Se batessemos nas pedras dos sepulcros e perguntássemos aos        mortos se querem ressuscitar, moveriam negativamente a cabeça. É esta a        opinião de Sócrates na <i>Apologia</i> de Platão.&#160;</p>
    <p>O alegre e feliz Voltaire dizia: "Amamos a vida, porém o nada não deixa        de ter o seu lado bom".&#160; Em outra parte dizia: "Ignoro o que seja a        vida eterna, mas esta é um pesado gracejo".&#160; <br />
    &#160;</p>
    <p><b>DE ONTEM A HOJE</b>&#160;</p>
    <p>A juventude é uma infatigável aspiração de felicidade; a velhice, pelo        contrário, é dominada por um vago e persistente sentimento de dor, porque        já estamos nos convencendo que a felicidade é uma ilusão, que só o        sofrimento é real.&#160; Por isso, o homem sensato deseja mais sofrer que        gozar.&#160;</p>
    <p>Em plena juventude, quando eu ouvia bater à porta, saltava de alegria,        e pensava: "Bom! Alguma coisa sucede".&#160; Mais tarde, experimentado pela        vida, o mesmo ruído sobressaltava-me de angústia, e pensava: "Que        sucederá, meu Deus?..."<br />
    &#160;</p>
    <p><b>A DURA JORNADA</b>&#160;</p>
    <p>Na velhice ao perder os sonhos da sua juventude todo homem que estudou        a história do passado e a da sua época, e recolheu o fruto da sua        experiência e da alheia, se não estiver com o espírito perturbado por        preconceitos muito arraigados, chegará à conclusão de que este mundo é o        reino do acaso e do erro, que é governado a seu modo sem compaixão alguma,        auxiliados pela maldade e pela loucura, que ao homem empolgam        constantemente.&#160;</p>
    <p style="text-align: left;">Mil trabalhos e esforços é preciso para impor uma ideia nobre, porque        dificilmente encontra uma oportunidade de apresentar-se, enquanto que a        vulgaridade artística, os sofismas, a malícia e a astúcia reinam de        geração em geração, aqui e alhures sem serem interrompidos.&#160;</p>
    <p style="text-align: center;">&#160;</p>
    <p style="text-align: center;"><b>Texto escrito pelo filósofo alemão Arthur Schopenhauer</b></p>
    <p>&#160;</p><br />
Sombrias Escrituras - Literatura sombria e Arte obscura<br /><br />
www.sombriasescrituras.net]]></content:encoded>
      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Filosofia da composição]]></title>
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&#160;
Em uma nota que neste momento tenho à vista, Charles Dickens diz o seguinte, referindo-se a uma análise que fiz do mecanismo de Barnaby Rudge: "Sabe que Godwin escreveu seu Caleb Williams de trás para frente? Começou emaranhando a matéria do segundo livro e logo, para compor o primeiro, pensou nos meios de justificar o que havia feito".
&#160;
Parece-me difícil de acreditar que esse fora precisamente o método de composição de Godwin e, de fato, o que o mesmo confessa não está de acordo,...<br />
Sombrias Escrituras - Literatura sombria e Arte obscura<br /><br />
www.sombriasescrituras.net]]></description>
         <pubDate>Thu, 17 Mar 2011 17:56:00 +0100</pubDate>
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         <category>Artigos</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img height="320" width="220" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000663-3ab7d3b362/poe_corvo.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: left;">&#160;</p>
<p style="text-align: left;"><font color="#ffffff">Em uma nota que neste momento tenho à vista, Charles Dickens diz o seguinte, referindo-se a uma análise que fiz do mecanismo de <i>Barnaby Rudge</i>: "Sabe que Godwin escreveu seu <i>Caleb Williams</i> de trás para frente? Começou emaranhando a matéria do segundo livro e logo, para compor o primeiro, pensou nos meios de justificar o que havia feito".</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Parece-me difícil de acreditar que esse fora precisamente o método de composição de Godwin e, de fato, o que o mesmo confessa não está de acordo, de modo algum, com a idéia do Sr. Dickens. Mas o autor de <i>Caleb Williams</i> era um artista demasiado entendido para deixar de compreender as vantagens que pode obter com algum procedimento semelhante. Eis algo evidente: um plano qualquer que seja digno desse nome só pode ser traçado visando o desenlace antes que a pena ataque o papel. Só quando se tem continuamente presente a idéia do desenlace é que podemos conferir a um plano a sua indispensável aparência lógica e de causalidade, procurando fazer com que todas as incidências e, especialmente, o <i>tom</i> geral tendam a desenvolver a intenção estabelecida.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Creio que existe um erro radical no método empregado para se construir um conto. Algumas vezes, a história nos proporciona uma tese; outras vezes, o escritor é inspirado por um acontecimento contemporâneo; ou, no melhor dos casos, senta-se para combinar os feitos surpreendentes que hão de formar a base de sua narrativa, procurando introduzir as descrições, o diálogo ou o seu comentário pessoal onde quer que um resquício no tecido da ação lhe force a fazê-lo. Eu prefiro começar com a consideração de um <i>efeito</i>. Tendo sempre em vista a originalidade (porque é falso consigo mesmo quem se atreve a desprezar um meio de interesse tão evidente e fácil), digo-me, antes de tudo: "Dentre os inumeráveis efeitos ou impressões que é capaz de receber o coração, a inteligência ou, falando em termos mais gerais, a alma, qual será o único que eu deva eleger no presente caso?" Tendo já elegido um tema novelesco e, depois, um vigoroso efeito, indago se vale mais evidenciar os incidentes ou o tom - ou os incidentes vulgares e um tom particular ou a singularidade tanto dos incidentes, quanto do tom -; logo procuro, em torno de mim, ou melhor, em mim mesmo, as combinações de acontecimentos ou de tons que podem ser mais adequados para criar o efeito em questão.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Tenho pensado quão interessante seria um artigo escrito por um autor que quisesse e que pudesse descrever, passo a passo, a marcha progressiva seguida em qualquer uma de suas obras até chegar ao término definitivo de sua realização. Seria, para mim, impossível explicar por que ainda não foi oferecido ao público um trabalho semelhante; mas talvez a vaidade dos autores seja a causa mais poderosa para justificarmos essa lacuna literária. Muitos escritores, especialmente os poetas, preferem deixar que acreditemos que escrevem graças a uma espécie de sutil frenesi ou de intuição extática; teriam verdadeiros calafrios se tivessem que permitir ao público dar uma olhadela por trás da cortina, para contemplar os trabalhosos e vacilantes embriões de pensamentos, a verdadeira decisão adotada no último momento, os relances de idéias que durante muito tempo resistem a mostrar-se, o pensamento plenamente maduro mas rejeitado por ser inaproveitável, a eleição prudente e os arrependimentos, as dolorosas emendas e interpolações; em suma, os rolamentos e as rodas, os artifícios para a troca de decoração, as escadas e os alçapões, as penas de galo, as cores, os disfarces e todos os enfeites que em noventa e nove por cento dos casos são o peculiar do <i>histrião literário</i>.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">No entanto, sei que não é freqüente um autor estar disposto a reconstruir o caminho por onde chegou a seu desenlace. Geralmente, as idéias surgem mescladas; logo são seguidas e finalmente esquecidas da mesma maneira.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Quanto a mim, não compartilho com a repugnância do que acabo de falar, nem encontro a menor dificuldade em recordar a marcha progressiva de todas as minhas composições. Posto que o interesse dessa análise ou reconstrução, que tenho considerado como um <i>desideratum</i>, é inteiramente independente de qualquer interesse real ou imaginário na coisa analisada, não poderei ser censurado se revelo aqui o <i>modus operandi</i> utilizado para construir uma de minha obras. Escolhi "O Corvo" por ser esta a mais conhecida de todas. Meu propósito consiste em demonstrar que nenhum ponto da composição pode ser atribuído à intuição ou à sorte; e que aquela avançou até seu término, passo a passo, com a mesma exatidão e lógica rigorosa de um problema matemático.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Posto que não responde diretamente à questão poética, esqueçamos a circunstância ou a necessidade de que nasceu a intenção de compor um poema que satisfizesse ao mesmo tempo o gosto popular e o gosto crítico.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Minha análise começa, pois, a partir dessa intenção.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">A consideração inicial foi esta: a dimensão. Se uma obra literária é muito extensa para ser lida de uma só assentada, devemos resignar-nos a eliminar o efeito, soberanamente decisivo, da unidade de impressão; porque quando são necessárias duas assentadas, interpõem-se entre elas os assuntos do mundo, e o que chamamos de <i>conjunto</i> ou <i>totalidade</i> cai por terra. Mas, tendo em vista que, <i>coeteris paribus</i>, nenhum poeta pode renunciar a tudo o que contribui para que alcance seu propósito, é importante examinar se há na extensão alguma vantagem, qualquer que seja, que compense a perda da unidade. Respondo logo negativamente. O que chamamos de poema extenso nada mais é do que uma sucessão de poemas curtos, de efeitos poéticos breves. De nada nos serve demonstrar que um poema só o é quando eleva a alma e lhe traz uma excitação intensa: por uma necessidade psíquica, todas as excitações intensas são de curta duração. Por isso, pelo menos a metade do <i>Paraíso Perdido</i> não é mais que pura prosa: há nele uma série de excitações poéticas salpicadas inevitavelmente de depressões. A obra, por causa de sua extensão excessiva, carece daquele elemento artístico tão decisivamente importante: a totalidade ou a unidade de efeito.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">No que se refere às dimensões, há, evidentemente, um limite positivo para todas as obras literárias: o limite de uma só sessão. É certo que em alguns gêneros da prosa, como em <i>Robinson Crusoe</i>, não se exige a unidade, porque aquele limite pode ser traspassado. Sem embargo, nunca será conveniente traspassá-lo em um poema. No mesmo limite, a extensão de um poema deve ser muito bem pensada, para manter uma relação matemática com o mérito do mesmo, isto é, com a elevação ou a excitação que comporta; em outras palavras, com a quantidade de autêntico efeito poético com que possa impressionar as almas. Esta regra só tem uma condição restrita, a saber: que uma relativa duração é absolutamente indispensável para causar um efeito, qualquer que seja.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Tendo em vista essas considerações, assim como aquele grau de excitação que eu não situava acima do gosto popular nem abaixo do gosto crítico, concebi antes de tudo uma idéia sobre a extensão idônea para o poema projetado: uns cem versos aproximadamente. Na realidade, cento e oito.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Meu pensamento se fixou seguidamente na elevação de uma impressão ou de um efeito que pudesse causar. Aqui creio que convém observar que, através desse trabalho de construção, tive sempre presente a vontade de criar uma obra <i>universalmente</i> apreciável. Iria longe demais se eu demonstrasse, no presente tratado, o que tenho insistido muitas vezes: que o belo é o único âmbito legítimo da poesia. Contudo, direi umas palavras para apresentar meu verdadeiro pensamento, que alguns de meus amigos se apressaram a dissimular. O prazer mais intenso, mais elevado e mais puro não se encontra - segundo creio - mais que na contemplação do belo. Quando os homens falam de beleza, não entendem precisamente uma qualidade, como se supõe, mas uma impressão: em suma, têm presente a violenta e pura elevação da alma - não do intelecto ou do coração -, como já falei, e que resulta da contemplação do belo. Ora, considero a beleza como o âmbito da poesia porque é uma regra evidente da arte que os efeitos deveriam brotar necessariamente de causas diretas, que os objetivos deveriam ser alcançados com os meios mais apropriados para tal - já que nenhum homem chegou a ser tão estúpido para negar que a elevação singular de que estou tratando se encontra mais facilmente ao alcance da poesia. No entanto, o objetivo <i>verdade</i>, ou satisfação do intelecto, e o objetivo <i>paixão</i>, ou excitação do coração, são muito mais fáceis de se alcançar por meio da prosa - embora, em certa medida, estejam também ao alcance da poesia. Em resumo, a <i>verdade</i> requer uma <i>precisão</i>, e a <i>paixão</i>, uma <i>familiaridade</i> (os homens verdadeiramente apaixonados me compreenderão), radicalmente contrárias àquela beleza, que não é senão a excitação - reafirmo - ou o embriagador arrebatamento da alma. De tudo o que foi dito até agora, não se pode deduzir, de modo algum, que nem a paixão nem a verdade possam ser introduzidas em um poema, senão com benefícios para este, já que podem servir para aclarar ou para potencializar o efeito global, como as dissonâncias na música, pelo contraste. Mas o autêntico artista há de se esforçar sempre, antes de tudo, em reduzi-las a um papel propício ao objetivo pretendido, e depois torneá-las, tanto quanto possível, com o aroma da beleza, que é a atmosfera e a essência do poema.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Por conseqüência, considerando o belo como o meu terreno próprio, perguntei-me: "Qual é o <i>tom </i>para a sua manifestação mais alta?". Este seria o tema de minha seguinte meditação, e toda a experiência humana nos leva a crer que esse tom é o da <i>tristeza</i>. Qualquer que seja seu parentesco, a beleza, em seu desenvolvimento supremo, induz às lágrimas, inevitavelmente, as almas sensíveis. Assim, a <i>melancolia</i> é o mais idôneo dos tons poéticos.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Uma vez determinados a dimensão, o terreno e o tom do meu trabalho, dediquei-me a buscar alguma curiosidade artística de alto grau que pudesse atuar como chave na construção do poema, de algum eixo sobre o qual toda a máquina pudesse girar. Refletindo sobre todos os efeitos conhecidos pela arte ou, mais propriamente, sobre todos os <i>meios</i> de efeito - no sentido cênico -, não poderia deixar de compreender que nenhum havia sido empregado com tanta freqüência quanto o do <i>estribilho</i>. A universalidade deste bastava para me convencer acerca de seu intrínseco valor, evitando a necessidade de submetê-lo a uma análise. De qualquer modo, eu não o considerava, senão enquanto suscetível de aperfeiçoamento, e tão logo pude perceber que ainda se encontrava em um estado primitivo. Tal como habitualmente é empregado, o estribilho não só é limitado às composições líricas, como a força da impressão que deve causar depende do vigor da monotonia no som e na idéia. Só se pode extrair o prazer mediante a sensação de identidade ou de repetição. Resolvi, desse modo, variar o efeito, com a finalidade de acrescentá-lo, permanecendo fiel à monotonia do som, mas alterando continuamente o da idéia: em outras palavras, procurei causar uma série contínua de efeitos novos com uma série de variadas aplicações do estribilho, deixando que este fosse quase sempre parecido.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Havendo já fixado esses pontos, preocupei-me com a <i>natureza</i> do meu estribilho: posto que sua aplicação tinha de ser variada com freqüência, era evidente que o estribilho em questão teria que ser breve, pois encontraria dificuldades insuperáveis para variar freqüentemente as aplicações de uma frase um pouco extensa. Por outro lado, a facilidade de variação estaria em proporção à brevidade da frase. Isto me conduziu a adotar como estribilho ideal uma única palavra.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Refleti, em seguida, sobre o <i>caráter</i> daquela palavra. Tendo decidido que haveria um estribilho, a divisão do poema em estâncias surgia como um corolário necessário, pois o estribilho constitui a conclusão de cada estrofe. Não havia dúvida para mim que semelhante conclusão ou término, para possuir força, deveria ser necessariamente sonora e suscetível de uma ênfase prolongada. Aquelas considerações me conduziram inevitavelmente ao o prolongado, que é a vogal mais sonora, associada ao <i>r</i>, porque esta é a consoante mais vigorosa.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Já bem determinado o som do estribilho, era preciso, depois, eleger uma palavra que o contivesse e, ao mesmo tempo, estivesse harmoniosamente de acordo com a melancolia que eu havia adotado como tom geral do poema. Seria impossível não se deparar com a palavra <i>nevermore</i> (nunca mais). Na verdade, esta foi a primeira que me veio à mente.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">O <i>desideratum</i> seguinte foi este: qual seria o pretexto útil para empregar continuamente a palavra <i>nevermore</i>? Ao ver a dificuldade que se me apresentava para encontrar uma razão válida dessa repetição contínua, não deixei de observar que essa dificuldade surgia tão só de que tal palavra, repetida tão obstinada e monotonamente, seria proferida por um ser <i>humano</i>. Em resumo: a dificuldade consistia em conciliar a monotonia aludida com o exercício da razão na criatura chamada para repetir a palavra. Surgiu então a possibilidade de uma criatura não racional e, sem embargo, dotada de palavra: como é lógico, pensei, de início, em um <i>papagaio</i>; no entanto, este foi imediatamente substituído por um <i>corvo</i>, que também é dotado de palavra e, ademais, está infinitamente mais de acordo com o <i>tom</i> desejado.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Assim, pois, havia chegado à concepção de um corvo. O corvo, ave de mau agouro, repetindo obstinadamente a palavra <i>nevermore</i> ao final de cada estância em um poema de tom melancólico e extensão de cerca de cem versos, aproximadamente. Então, sem perder de vista o superlativo ou a perfeição em todos os pontos, perguntei-me: "Dentre todos os temas melancólicos, qual é o maior, segundo o entende <i>universalmente</i> a humanidade?" Resposta inevitável: "A morte". "E quando esse assunto, o mais triste de todos, é também o mais poético?". Segundo o já explicado com bastante amplitude, a resposta me veio facilmente: "Quando ele se alia intimamente com a beleza". Logo a <i>morte</i> de uma <i>bela mulher</i> é, sem dúvida alguma, o tema mais poético do mundo, e parece-me óbvio que a boca mais apta para desenvolver o tema é a do amante privado de seu tesouro.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Teria que combinar, em seguida, aquelas duas idéias: um amante que chora a sua amada morta e um corvo que repete continuamente a palavra <i>nevermore</i>. Não só teria que combiná-las, como teria que variar a aplicação da palavra repetida; mas o único meio possível para semelhante combinação consistia em imaginar um corvo que aplicasse a palavra para responder as perguntas do amante. Então pude tirar vantagem da facilidade que se me oferecia para o efeito do qual meu poema estava dependendo, isto é, o efeito da variação da aplicação. Compreendi que poderia formular a primeira pergunta feita pelo amante, a qual o corvo responderia <i>nevermore</i>; que desta primeira pergunta poderia fazer uma espécie de lugar-comum; da segunda, algo menos comum; da terceira, algo menos comum ainda, e assim sucessivamente, até que por último o amante, arrancado de sua indolência pela índole melancólica da palavra, pela sua freqüente repetição e pela fama sinistra do pássaro, fosse lançado a uma agitação supersticiosa e, loucamente, formulasse perguntas diversas, mas apaixonadamente interessantes ao seu coração; perguntas que dessem a medida exata da superstição e do singular desespero que encontra o prazer em sua própria tortura, não por crer o amante na índole profética ou diabólica da ave (que, segundo lhe demonstra a razão, não faz mais que repetir algo aprendido mecanicamente), mas por experimentar um prazer inusitado ao formulá-las daquele modo, recebendo do <i>nevermore</i> sempre esperado uma ferida deliciosa e insuportável. Vendo semelhante facilidade que se me oferecia ou, melhor dizendo, que se me impunha no transcurso do meu trabalho, decidi primeiro formular a pergunta final, a pergunta definitiva, para a qual o <i>nevermore</i> seria a última resposta, a mais desesperada, plena de dor e sofrimento.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Aqui posso afirmar que meu poema começara pelo fim, como deveriam começar todas as obras de arte. Então, precisamente nesse ponto de minhas meditações, tomei da pena pela primeira vez e compus a seguinte estância:<br />
</font></p>
<p align="center"><font color="#ffffff"><br />
<br />
"Profeta!", falei, "ser maligno, sempre profeta, ave ou demônio,<br />
Pelo céu que nos rodeia, pelo Deus que nós dois adoramos,<br />
Fala a esta pobre alma angustiada se no Éden distante<br />
Poderá abraçar a jovem a quem os anjos chamam Leonora,<br />
Abraçar a bela e rara jovem a quem os anjos chamam Leonora".<br />
O Corvo disse: "Nunca mais". </font></p>
<p align="center"><font color="#ffffff"><i>(tradução literal)</i><br />
</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Só então escrevi essa estância; primeiro, para fixar o ponto supremo e poder, o mais claramente possível, variar, segundo sua gravidade e importância, as perguntas anteriores do amante; e, em segundo lugar, para decidir definitivamente o ritmo, o metro, a extensão e a disposição geral da estrofe, assim como para graduar as que deveriam antecedê-la, de modo que nenhuma a ultrapassasse em seu efeito rítmico. Se, no trabalho de composição que deveria seguir, eu houvesse sido tão imprudente a ponto de escrever estâncias mais vigorosas, eu as debilitaria, conscientemente e sem vacilação alguma, de modo que não interferissem no efeito do <i>crescendo</i>.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Aqui eu bem posso falar algo sobre a versificação. Meu primeiro objetivo era - como sempre - a originalidade. Uma das coisas mais absurdas do mundo é, para mim, ver como a originalidade da versificação tem sido tratada com descaso. Mesmo reconhecendo que no ritmo puro exista pouca possibilidade de variação, é evidente que as variedades em matéria de metro e estância são infinitas; sem embargo, durante séculos, nenhum homem fez alguma coisa de original a respeito da versificação, nem sequer algo parecido. O certo é que a originalidade - excetuando os espíritos de uma força insólita - não é, de maneira alguma, como muitos acreditam, questão de instinto ou de intuição. De um modo geral, só através de muito trabalho pode-se encontrá-la, e embora seja um mérito positivo da mais alta categoria, o espírito de invenção participa menos que o de negação para chegarmos até ela.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Não é preciso afirmar que não pretendi ser original nem no ritmo nem no metro de <i>O Corvo</i>. O primeiro é trocaico; o segundo, um octâmetro acatalético, alternando-se com um heptâmetro catalético que, repetindo-se, vai se converter em estribilho no quinto verso, finalizando com um tetâmetro catalético. Para expressar-me sem pedantismo, os pés empregados, que são troqueus, consistem em uma sílaba longa seguida de uma breve; o primeiro verso da estância é composto de oito pés; o segundo, de sete e meio; o terceiro, de oito; o quarto, de sete e meio; o quinto, também de sete e meio; o sexto, de três e meio. Ora, isolando cada um desses versos, veremos que já foram empregados antes, de maneira que a originalidade de <i>O Corvo</i> consiste na combinação dos mesmos em uma única estância. Até o presente momento, nada foi criado que se lho assemelhe. O efeito dessa combinação original se fortalece mediante alguns outros efeitos inusitados e absolutamente novos, obtidos por uma aplicação mais ampla da rima e da aliteração.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">O ponto seguinte a ser considerado era o modo de estabelecer a comunicação entre o amante e o corvo. O primeiro ponto da questão consistia, naturalmente, no <i>lugar</i>. Poderia parecer que devesse brotar espontaneamente a idéia de uma selva ou de um campo, mas tenho sempre afirmado que para se criar o efeito de um incidente insulado, é absolutamente necessário um espaço estreito, pois este ganha a força de uma pintura. Ademais, oferece a vantagem moral de concentrar a atenção em um pequeno âmbito; não é preciso afirmar que esta vantagem não deve ser confundida com a que se obtenha da mera unidade de lugar.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Decidi, em seguida, situar o amante em seu quarto, em um quarto que havia santificado com as recordações da que vivera ali. O quarto é descrito como ricamente mobiliado, a fim de satisfazer as idéias de que já expus acerca da beleza, como a única tese verdadeira da poesia.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Havendo determinado assim o lugar, era preciso introduzir então a ave: a idéia de que esta penetrasse pela janela me parecia inevitável. Que o amante supusesse, no primeiro momento, que o aflar do pássaro contra o postigo fosse uma chamada à sua porta era uma idéia brotada de meu desejo de aumentar a curiosidade do leitor, obrigando-o a aguardar, mas também do desejo de colocar o efeito incidental da porta aberta de par a par pelo amante, que nada mais encontraria que a escuridão, e que pudesse aceitar a ilusão de que o espírito de sua amada estivesse a lhe chamar.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Fiz com que a noite parecesse tempestuosa, primeiro para explicar o motivo do corvo buscar a hospitalidade; segundo para criar o contraste com a serenidade material reinante no interior do quarto.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Fiz também com que a ave pousasse sobre o busto de Palas para estabelecer um contraste entre suas plumas e o mármore. Compreende-se que a idéia do busto foi suscitada unicamente pela ave; que fosse precisamente um busto de Palas para, em primeiro lugar, demonstrar a íntima relação com a erudição do amante e, em segundo lugar, por causa da própria sonoridade do nome Palas.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Até a metade do poema, explorei igualmente a força do contraste com o objetivo de aprofundar aquela que seria a impressão final. Por isso, conferi à entrada do corvo um matiz fantástico, aproximando-se já do cômico, pelo menos até onde meu assunto o permitia. O corvo penetra "a esvoaçar tumultuosamente":<br />
</font></p>
<p align="center"><font color="#ffffff"><br />
<br />
"Não fez <i>nenhuma reverência</i>; não parou, não duvidou,<br />
&#160; <i>Mas, como um lord ou uma lady</i>, pousou sobre a minha porta"</font></p>
<p align="center"><font color="#ffffff"><i>(tradução literal)</i></font></p>
<dl><dd align="JUSTIFY"></dd></dl><dl><dd align="JUSTIFY"><font color="#ffffff">Nas duas estâncias seguintes, o     propósito se manifesta ainda mais:<br />
</font></dd></dl>
<p align="center"><font color="#ffffff"><br />
<br />
Então a ave de ébano induziu minha triste ilusão a sorrir, <br />
Por sua <i>grave postura e pela severidade de seu aspecto</i>;&#160; <br />
"Apesar de tua <i>crista ser lisa e rasa</i>," falei, "não és covarde,<br />
Torvo, espectral e antigo Corvo que, errando, vens da noite;<br />
Fala-me qual é o teu nome senhorial na Noite Plutoniana!"<br />
O Corvo disse: "Nunca mais".<br />
<br />
Maravilhei-me ao escutar <i>aquela ave desajeitada</i> falar tão bem,<br />
Apesar de sua resposta pouco esclarecedora e relevante;<br />
Porque sabemos que nenhum ser humano ou vivente<br />
<i>Jamais se encantou ao ver um pássaro sobre a sua porta -<br />
Uma ave ou uma besta no busto esculpido sobre a sua porta</i> -<br />
E que se chame "Nunca mais".<br />
</font></p>
<p align="center"><font color="#ffffff"><i>(tradução literal)</i></font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Preparado assim o efeito do desenlace, apressei-me em abandonar o tom fingido e adotar o sério, o mais profundo: esta mudança de tom se inicia no primeiro verso da estância que segue a que acabo de citar:<br />
</font></p>
<p><font color="#ffffff"><br />
&#160;&#160; &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Mas o Corvo, pousado no plácido busto, apenas aquelas, etc.<br />
</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">A partir desse momento, o amante não mais zomba, já não vê nada de fictício no comportamento da ave. Fala dela como uma "espantosa, sinistra, ominosa ave de outrora", e sentia que seus "feros olhos queimavam" o seu "coração". Essa transição do pensamento e essa imaginação do amante têm como finalidade predispor o leitor a outras análogas, conduzindo o espírito até uma posição propícia para o <i>desenlace</i>, que virá tão rápida e <i>diretamente</i> quanto possível.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Com o desenlace propriamente dito, expressado no <i>nevermore</i> do corvo em resposta à última pergunta do amante - encontrará a sua amada no outro mundo? -, pode considerar-se concluído o poema em sua fase mais clara e natural, a de simples narração. Até o presente, tudo tem-se mantido nos limites do explicável e do real. Um corvo que aprendera mecanicamente a palavra <i>nevermore</i>, e que, tendo fugido de seu dono, pede abrigo, à meia-noite, em uma janela onde ainda brilha uma luz, fustigado pela fúria da tempestade; a janela de um estudante ocupado em ler um livro e a sonhar com a sua amada morta. Uma vez aberta a janela, aflando, a ave pousa o mais distante possível do estudante que, divertido pelo incidente, pergunta-lhe, brincando, o seu nome, sem esperar resposta. Mas o corvo, ao ser interrogado, responde com a sua palavra habitual - <i>nevermore</i> -, palavra que imediatamente suscita um eco melancólico no coração do estudante; e este, expressando em voz alta os pensamentos que aquela circunstância lhe sugere, se emociona diante da repetição do <i>nevermore</i>. O estudante se entrega às suposições que o caso lhe inspira, mas o ardor do coração humano não tarda em martirizar-se e, também, por uma espécie de superstição, a formular perguntas à ave, cuja resposta, o intolerável <i>nevermore</i>, lhe proporciona, ao amante, o mais horrível sofrimento. A narração, naquilo que designei como sua primeira fase ou fase natural, tem a sua conclusão precisamente nessa tendência do coração à tortura, levada ao extremo. Até aqui, nada foi mostrado que ultrapasse os limites da realidade.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Mas, nos temas manejados desse modo, por mais habilidade e mais vivas riquezas de incidentes que possua o artista, sempre mostrará um pouco da rudeza ou da nudez que repelem a leitura de uma pessoa sensível. Dois elementos são exigidos eternamente: por um lado, certa suma de complexidade ou, em outras palavras, de combinação; por outro, certa quantidade de espírito sugestivo, algo assim como uma veia subterrânea de pensamento, invisível e indefinida. Esta última quantidade é a que confere à obra de arte o ar opulento que cometemos a estupidez de confundir com o <i>ideal</i>. O que transforma em prosa (e prosa das mais chatas) a pretendida poesia dos que se denominam transcendentalistas, é justamente o excesso na expressão do sentido que só deve ser <i>insinuado</i>, é a mania de converter a corrente subterrânea de uma obra em outra corrente, visível na superfície.</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Convencido disso, juntei as duas estâncias que concluem o poema, porque sua qualidade sugestiva haveria de penetrar em toda a narração antecedente. A corrente subterrânea do pensamento se mostra, pela primeira vez, nestes versos:<br />
</font></p>
<p align="center"><font color="#ffffff"><br />
<br />
"Afasta teu bico do <i>meu coração</i>, afasta tua forma de minha porta!"<br />
O Corvo disse: "Nunca mais".</font></p>
<p align="center"><font color="#ffffff"><i>(tradução literal)</i><br />
</font></p>
<p>&#160;</p>
<p><font color="#ffffff">Quero ressaltar que a expressão "do meu coração" encerra a primeira expressão metafórica do poema. Estas palavras, com a resposta correspondente, leva o espírito a buscar um sentido moral em toda a narração que se desenvolvera anteriormente. Então o leitor começa a considerar o corvo como um ser emblemático. Mas só no último verso da última estância pode ver com nitidez a intenção de fazer do corvo o símbolo da <i>recordação fúnebre e eterna</i>:<br />
</font></p>
<p align="center"><font color="#ffffff"><br />
<br />
E o Corvo, ainda imutável, segue pousado, segue pousado<br />
Sobre o pálido busto de Palas, bem sobre a minha porta;<br />
Seus olhos se assemelham aos de um demônio que medita,<br />
E a luz da lâmpada, que o cobre, lança a sua sombra no chão;<br />
E minha alma, <i>daquela sombra</i> que jaz flutuando no chão<br />
Não se levantará... nunca mais!</font></p>
<p align="center"><font color="#ffffff"><i>(tradução literal)</i></font></p>
<p align="center">&#160;</p>
<p align="center"><b><font color="#ffffff">- Artigo escrito por Edgar Allan Poe</font></b> -</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p align="center">&#160;</p><br />
Sombrias Escrituras - Literatura sombria e Arte obscura<br /><br />
www.sombriasescrituras.net]]></content:encoded>
      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[O imortal Cruz e Sousa]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/o-imortal-cruz-e-sousa/</link>
         <description><![CDATA[
Busto de Cruz e Sousa, na praça 15 de Novembro em Santa Catarina.
&#160;
Falar de Cruz e Sousa, explicar quem foi esse homem; esse poeta; esse negro admirável; é lembrar que o Brasil teve, no fim do século XIX, um grandioso talento na literatura.
&#160;
Nessa época viajamos, ao som de Debussy, pelo impressionismo de Renoir e Van Gogh. Convictos de que a linguagem não pode pretender representar a realidade como ela de fato é. Pode-se, no máximo, sugeri-la. Seguindo por esse caminho...<br />
Sombrias Escrituras - Literatura sombria e Arte obscura<br /><br />
www.sombriasescrituras.net]]></description>
         <pubDate>Thu, 17 Mar 2011 17:27:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/o-imortal-cruz-e-sousa/</guid>
         <category>Artigos</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img height="334" width="343" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000660-e9b20ea2b6/cruzesousa_estatua.JPG" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Busto de Cruz e Sousa, na praça 15 de Novembro em Santa Catarina.</p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p>
<p style="text-align: left;">Falar de Cruz e Sousa, explicar quem foi esse homem; esse poeta; esse negro admirável; é lembrar que o Brasil teve, no fim do século XIX, um grandioso talento na literatura.</p>
<p style="text-align: left;">&#160;</p>
<p align="left">Nessa época viajamos, ao som de Debussy, pelo impressionismo de Renoir e Van Gogh. Convictos de que a linguagem não pode pretender representar a realidade como ela de fato é. Pode-se, no máximo, <i>sugeri-la.</i> Seguindo por esse caminho antimaterialista, produto de uma forte crise espiritual a que se tem chamado <i>decadentismo</i> do final do século.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Nessa época foram marcantes na literatura o uso de símbolos, imagens, metáforas e sinestesias. Isso sem contar os recursos sonoros e cromáticos, tudo com a finalidade de exprimir o mundo interior, intuitivo, antilógico e anti-racional. Por isso, esse período foi chamado de <i>Simbolismo.</i></p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Para Charles Baudelaire, poeta francês pós-romântico e precursor do movimento simbolista, a poesia é a expressão da correspondência que a linguagem é capaz de estabelecer entre o concreto e o abstrato, o material e o ideal.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Tal qual o Romantismo, que reagira contra o racionalismo burguês do século XVIII (o iluminismo), o Simbolismo rejeita as soluções racionalistas, empíricas e mecânicas trazidas pela ciência da época e busca valores ou ideais de outra ordem, ignorados ou desprezados por ela: o espírito, a transcendência cósmica, o sonho, o absoluto, o nada, o bem, o belo, o sagrado, etc.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">A origem dessa tendência espiritualista e até mística situa-se nas camadas ou grupos da sociedade que ficaram à margem do processo de avanço tecnológico e científico do capitalismo do século XIX e da solidificação da burguesia no poder. São setores da aristocracia decadente e da classe média que, não vivendo a euforia do progresso material, da mercadoria e do objeto, reagem contra ela. Propõem a volta da supremacia do sujeito sobre o objeto, rejeitando desse modo o desmedido valor dado às coisas materiais.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Assim, os simbolistas procuram resgatar a relação do homem com o sagrado, com a liturgia e com os símbolos. Buscam o sentimento de totalidade, que se daria numa integração da poesia com a vida cósmica, como se ela, a poesia, fosse uma religião.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Sua forma de tratar a realidade é peculiar. Partem do princípio de que é impossível o retrato fiel do objeto; o papel do artista, no caso, seria o de sugeri-lo, por meio de tentativas, sem querer esgotá-lo. Desse modo, a obra de arte nunca é perfeita ou acabada, mas aberta, podendo sempre ser modificada, ampliada ou refeita.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Essa concepção da realidade e da arte trazida pelos simbolistas suscita reações entre setores positivistas da sociedade. Chamados de <i>malditos</i> ou <i>decadentes</i>, os simbolistas ignoram a opinião pública, desprezam o prestígio social e literário, fechando-se numa quase religião da palavra e suas capacidades expressivas.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">O Simbolismo - com as propostas de inovação, oposição e pesquisa trazidas pela geração de Verlaine, Rimbaud e Mallarmé - não sobrevive muito. O mundo presencia a euforia capitalista, o avanço científico e tecnológico. A burguesia vive a <i>belle époque</i>, um período de prosperidade, de acumulação e de prazeres materiais que só terminaria com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Nesse contexto, o Simbolismo desaparece. Mas deixa ao mundo um alerta sobre o mal-estar trazido pela civilização moderna e industrializada, além de códigos literários novos, que abrirão campo para as correntes artísticas do século XX, principalmente o Expressionismo e o Surrealismo, também preocupados com a expressão e com as zonas inexploradas da mente humana, como o inconsciente e a loucura.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">O Simbolismo retoma alguns dos procedimentos românticos, entre eles o interesse pelo mistério, pelo macabro e por ambientes noturnos. Nossos principais simbolistas escreveram poemas que dão continuidade à tradição gótica, como é o caso de Cruz e Sousa.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Ao contrário do que ocorreu na Europa, onde o Simbolismo se sobrepôs ao Parnasianismo, no Brasil o Simbolismo foi quase inteiramente abafado pelo movimento parnasiano, que gozou de amplo prestígio entre as camadas cultas até as primeiras décadas do século XX. Apesar disso, a produção simbolista deixou contribuições significativas, preparando o terreno para as grandes inovações que iriam ocorrer no século XX, no domínio da poesia.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Cruz e Sousa ligou-se ao movimento simbolista em parte influenciado nas redações e em rodas de bar ou café, no lugar que funcionava como ponto-de-encontro dos novos e combativos moços de vanguarda. Como diz Araripe Júnior: "Lembra-me de que em 1891 formou-se um grupo de rapazes em torno da <i>Folha Popular</i> (jornal da época). Foi aí que os novos, tomando por insígnia um fauno, tentaram as suas primeiras exibições. A esse grupo prendiam-se, por motivo de convivência e por aproximações de idade, Bernardino Lopes, Perneta, Oscar Rosas e Cruz e Sousa".</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Este grupo teve a inclusão de Gonzaga Estrada, que com mais dois amigos (Lima Campos e Mário Pederneiras) funda em 1897 a revista simbolista <i>Galáxia.</i></p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Também entre este grupo de amigos temos a presença de Saturnino de Meireles, poeta simbolista nascido no Rio de Janeiro. Este possuía um emprego modesto, mas dava a Cruz e Sousa uma quarta parte do seu salário. Promoveu a edição póstuma de <i>Evocações</i>, através de assinaturas e seu próprio recurso. Adquiriu o terreno para o monumento de Cruz e Sousa, no cemitério de São Francisco. E dedicou seu livro <i>Astros mortos</i> (1903) ao "grande mestre e divino amigo".</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Em 1895 o poeta simbolista Alphonsus de Guimaraens (1870-1921), de Minas Gerais e agora com o curso de direito concluído em São Paulo, quis passar pelo Rio de Janeiro, antes de retornar ao seu Estado natal, para conhecer o poeta negro. E desse episódio é interessante uma história narrada por Henriqueta Lisboa, em sua Conferência sobre <i>Alphonsus de Guimaraens:</i></p>
<p align="left">&#160;&#160;&#160;<i>&#160;&#160;&#160;&#160; "Ao caminharem pela rua, Alphonsus apontou para um escritor eminente que ia passando:</i></p>
<p align="left"><i>&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; - Olha ali, o Coelho Neto! Vamos falar com ele!</i></p>
<p align="left"><i>&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; - Não! - rejeitou Cruz e Sousa - Eu detesto esta gente".</i></p>
<p align="left">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Ora, sabe-se que Cruz e Sousa tinha uma oposição declarada aos estetas passadistas, aos quais denominava de "asininos".</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Cruz e Sousa (1862 - 1898), filho de escravos, foi amparado por uma família aristocrática, que o ajudou nos estudos. Ao transferir-se para o Rio, sobreviveu trabalhando em pequenos empregos e sempre foi alvo do preconceito racial. Na juventude, teve uma grande desilusão amorosa, ao apaixonar-se por uma artista branca. Acabou casando-se com Gavita, uma negra, que mais tarde ficaria louca. O poeta conheceu a moça por acaso no bairro pobre de Catumbi, onde foi visitar um amigo seu, João Várzea, e a viu em frente ao portão do cemitério que havia ali perto. Ela era escrava do Juiz Dr. Antônio Rodrigues Monteiro, humanitário e abolicionista, que deu à moça uma excelente educação.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Gavita Rosa Gonçalves foi o esperançoso namoro de um ano. Nesse período Cruz e Sousa preparava <i>Missal</i> e <i>Broquéis</i>, publicados ao longo de 1893.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Acredita-se que o noivado influenciou todo o conteúdo de <i>Broquéis.</i> As sublimações, ao subirem ao plano da fantasia se tornam nebulosas, alvas, claras... ainda que a noiva Gavita fosse negra.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Várias passagens em <i>Broquéis</i> apresentam reflexos do brilho de alabastro de Gavita.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Depois de consagrado com a publicação de dois livros marcantes do simbolismo brasileiro, casa-se Cruz e Sousa com Gavita em 9 de novembro de 1893.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Mas então veio uma desgraça suprema para acabar de vez com sua vida. O ano em que tudo começou foi 1896. Gavita enlouquece em março, e fica nesse estado durante seis meses. Cruz e Sousa deixa páginas comoventes sobre o ocorrido. Como se não bastasse o seu estado de pobreza, ainda teria que cuidar de dois filhos pequenos e um recém-nascido. Conseqüentemente sua mulher contrai uma anemia profunda que altera de vez suas faculdades mentais. Cruz e Sousa tem então sua saúde pessoal abalada. E mal ia chegando ao fim o mal desta loucura, vem o telegrama comunicando o falecimento do seu velho pai.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">De quatro filhos que o casal teve, apenas dois sobreviveram. Cruz e Sousa morreu com 36 anos, vítima de tuberculose.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Seu amigo Nestor Vitor fez o discurso de despedida:</p>
<p align="left">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; <i>"Diga-se, para honra do Brasil: não foram apenas seus amigos que se abalaram com a sua morte; foi todo o país, no que ele tinha propriamente de intelectual, tanto quanto naquele momento lhe era possível conhecer o alcance da perda que sofria".</i></p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Hoje Cruz e Sousa é considerado o mais importante poeta simbolista brasileiro e um dos maiores poetas nacionais de todos os tempos. Seu valor, contudo, só foi reconhecido postumamente, depois que o sociólogo francês Roger Bastide colocou-o entre os maiores poetas do Simbolismo universal.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Sua obra poética apresenta diversidade e riqueza. De um lado, encontram-se aspectos noturnos do Simbolismo, herdados do Romantismo: o culto da noite, certo satanismo, o pessimismo, a morte, etc.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">De outro lado, há certa preocupação formal que o aproxima dos parnasianos: a forma lapidar, o gosto pelo soneto, o verbalismo requintado, a força das imagens; de outro, ainda, a inclinação à poesia meditativa e filosófica, que o aproxima da poesia realista portuguesa, principalmente de Antero de Quental.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Juntamente com o poeta realista português Antero de Quental e o pré-modernista brasileiro Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa apresenta uma das poéticas de maior profundidade em língua portuguesa, quanto à investigação filosófica e à angústia metafísica.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">O drama da existência, em sua obra, revela uma provável influência das idéias pessimistas do filósofo alemão Schopenhauer. Além disso, certas posturas de sua poesia - o desejo de fugir da realidade, de transcender a matéria e integrar-se espiritualmente no cosmo - parecem originar-se não apenas do sentimento de opressão e mal-estar trazido pelo capitalismo, mas também do drama racial e pessoal que vivia.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">A trajetória de sua obra parte da consciência e da dor de ser negro, em <i>Broquéis</i>; e à dor de ser homem, em busca da transcendência, em <i>Faróis</i> e <i>Últimos sonetos</i>, obras póstumas.</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Por uma razão transcendental, Cruz e Sousa preocupava-se muito para que seus livros fossem publicados, como permanência do espírito após a morte. Observe o conteúdo de uma página de <i>Missal</i>, sob o título "Sugestão", em que o poeta mostra que não se contentava só com a impressão em jornais (sabe-se que muitos de seus escritos foram publicados em jornais):</p>
<p align="left"><i>"Ora, jornais! Jornais só são papéis avulsos, vivem o curto espaço de um minuto ou de um segundo e, muitas vezes, sem os lermos com os mais resplandecentes pensamentos contidos em suas colunas, os deitamos pela janela fora... Um livro sintetiza qualquer individualidade".</i></p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Cruz e Sousa produziu cerca de mil páginas, de que quase a metade foi em poesia.</p>
<p align="left">Conseguiu publicar, em vida, dois livros de prosa, <i>Tropos</i> e <i>Fantasias</i> (1885) e <i>Missal</i> (1893). E um livro de poesias, <i>Broquéis </i>(1893).</p>
<p align="left">Deixou um terceiro livro de prosa ordenado para publicação, <i>Evocações,</i> editado postumamente por Saturnino Meireles, em 1898.</p>
<p align="left">Um segundo e terceiro livro de poesias foram editados de acordo, mais ou menos, com os projetos de Cruz e Sousa, Faróis (1900) e Últimos sonetos (1905).</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Andrade Muricy resumiu em 1952 a situação de Cruz e Sousa no estrangeiro. Observem o impacto de Cruz e Sousa em outros lugares no mundo: "A primeira repercussão da sua obra no estrangeiro ficou demarcada pela conferência do poeta simbolista boliviano, naturalizado argentino, Ricardo Jaimes Freyre, realizada no Ateneu, de Buenos Aires, em 28 de agosto de 1889. Félix Pacheco foi quem pronunciou pela primeira vez um elogio acadêmico de Cruz e Sousa, no seu Discurso de Recepção, lido em 14 de agosto de 1913. O notável intelectual peruano Ventura Garcia Calderón, Ministro Plenipotenciário em Paris, e muito acatado no meio literário parisiense, declarou ser Cruz e Sousa "comparável a Baudelaire sem que o mundo saiba, porque escrevia em português". Juan Más y Pi e Júlio Noé indicam Cruz e Sousa como tendo sido inspirador do maior poeta argentino, Leopoldo Lugones. O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manoel Cerejeira, considera Cruz e Sousa dos fatores principais da renovação espiritualista da poesia brasileira. O professor francês Roger Bastide, por algum tempo da Universidade de São Paulo, consagrou-lhe em <i>A Poesia Afro-Brasileira</i> quatro largos estudos, onde o compara a Baudelaire e Mallarmé, e lhe indica no movimento simbolista universal, lugar de primeira plana. Refere-se à atitude "mística" do Poeta Negro, aquilo que chama o "que há de mais original e talvez intraduzível em Cruz e Sousa e que lhe dá situação à parte na grande tríade harmoniosa: Mallarmé, Stefan George e Cruz e Sousa. Cruz e Sousa é dos maiores poetas do simbolismo universal e, na opinião de V. Garcia Calderón, o maior poeta sul americano".</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p align="left">Depois de comemorado o centenário de Cruz e Sousa em 1961, eram considerados os seguintes os maiores nomes da poesia simbolista brasileira, por Manuel Bandeira, que os reuniu em uma Antologia, pela ordem cronológica: Cruz e Sousa - Florianópolis (1861-1898); Emiliano Perneta - Curitiba (1866-1821); Mário Pederneiras - Rio (1868-1915); Dário Veloso - Rio (1869-1937); Azevedo Cruz - Campos, S. Paulo (1870-1905); Silveira Neto - Morretes, Paraná (1872-1942); Carlos Fernandes - Mamanguape, Paraíba (1875-1942); Alphonsus de Guimaraens - Ouro Preto, Minas Gerais (1870-1921); Marcelo Gama - Mostardas, Rio Grande do Sul (1878-1915); Tristão da Cunha - Rio (1878-1942); Maranhão Sobrinho - Barra da Corda, Maranhão (1879-1915); Félix Pacheco - Teresina, Piauí (1879-1935); José de Abre Albano - Fortaleza (1882-1923); Castro Menezes - Niterói (1883-1920); Da Costa e Silva - Amarante, Piauí (1885-1950); Álvaro Moreyra - Porto Alegre (1888-1964); Eduardo Guimaraens - Porto Alegre (1892-1928); Rodrigo Octávio Filho - Rio (1892-1969); Rodrigues de Abreu - Capivari, São Paulo (1897-1927).</p>
<p align="left">&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;<i> "Desapareceram totalmente e acredito que definitivamente: Oscar Rosas, Severiano de Resende, Gustavo Santiago, Adolfo Araújo, Gonçalo Jácomo, Maurício Jubim...&#160; São tantos!"</i>&#160; (Manuel Bandeira).</p>
<p align="left">&#160;</p>
<p style="text-align: center;"><b>Sr. Arcano - arcanosoturno@hotmail.com</b></p>
<p align="left">&#160;</p><br />
Sombrias Escrituras - Literatura sombria e Arte obscura<br /><br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[A crise niilista]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/a-crise-niilista/</link>
         <description><![CDATA[
&#160;
Há uma menina, de 13 anos... que foi minha madrinha de formatura de quartel, e que colocou a boina em mim, anos atrás. E agora está na UTI, ela periga falecer. E o pai também se acidentou, e ele andava sempre devagar na sua moto, bom pai de família, calmo e tudo... um amor de pessoa. É um choque, é tão... brutal essa vida, tão ínfima e sensível... parece que se vai ao vento e nos julgamos tão fortes e ultrapoderosos...

Por isso eu digo: não vale a pena nada nessa vida a não ser se...<br />
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         <pubDate>Tue, 15 Mar 2011 18:03:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/a-crise-niilista/</guid>
         <category>Artigos</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img height="382" width="300" alt="" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000577-301c73116a/pernas.jpg" /></p>
<p style="text-align: left;">&#160;</p>
<p style="text-align: left;">Há uma menina, de 13 anos... que foi minha madrinha de formatura de quartel, e que colocou a boina em mim, anos atrás. E agora está na UTI, ela periga falecer. E o pai também se acidentou, e ele andava sempre devagar na sua moto, bom pai de família, calmo e tudo... um amor de pessoa. É um choque, é tão... brutal essa vida, tão ínfima e sensível... parece que se vai ao vento e nos julgamos tão fortes e ultrapoderosos...<br />
<br />
Por isso eu digo: não vale a pena nada nessa vida a não ser se preocupar em perdoar, amar mais, fazer o que se quer fazer, FALAR o que se quer falar na hora, amar mais, considerar, ponderar... sentir. Nessas horas, infelizmente, me vem a luz de que eu, nas minhas posturas, não estou errado, por mais que elas pareçam ser frutos de fraqueza: eu perdôo, eu relevo, eu amo, eu falo.<br />
<br />
Vida efêmera... tudo passa e passamos por tudo. Quase a xingo se não fosse também, ela própria, escorregadia. Como se não fosse, ela própria também, esse presente que escorre e que morre antes que eu no meu futuro. Não sei, nesse mundo de hoje, se fico com pena ou feliz pela menina na UTI, realmente não sei, titubeio entre a compaixão e o alívio... mesmo assim, deveria ser questão de "escolha" dela isso, e não algo tão (des)arbitrário!<br />
<br />
Quem me dera poder xingar a vida com autoridade, mas não, ela se vitimiza como eu, como tudo. Não há vilões na vida – só vítimas. Somos todos vítimas das intermináveis vicissitudes que podem ocorrer a alguém ser humano... humano!<br />
Sim, esse adjetivo tão singular e carregado de bons valores! Bons valores? – cada um dos nossos valores é um verme que corrói nossa alma – portanto não existe "bons" valores tampouco.<br />
<br />
Não existe paz, nem ordem na vida – nesse presente conturbado como a água do mar, estamos à deriva, oscilando no suspense do próximo movimento bizarro que a onda da vida trará. Não há certezas, não há segurança, e tampouco um salva – ponto: ah, mas há os salva-vidas... que muitas vezes perdem suas próprias vidas pra tentar salvar as de outrem... quando muitos nem aos seus filhos perderiam suas vidas (alow Cyntia?).<br />
<br />
Há um mendigo em cada esquina, e um culpado em cada um de nós, que passamos por eles... Culpados? Vítimas. Somos vítimas daquilo tudo, disso tudo... que culpa tem uma formiga por todo o jardim? Ela poderia, sozinha, mudar o curso natural dessa coisa caótica chamada vida?<br />
<br />
Nunca. Jamais. Nem mesmo os personagens de ficção e HQ poderiam, todos juntos, mudar a "ordem natural das coisas" na vida... tão engraçada essa frase! – "ordem natural das coisas" – as coisas não têm ordem: nós que tentamos organizá-las, perante o nosso medo do desconhecido.<br />
<br />
Tudo é caos, somos produtos do acaso e do erro, dando graças a Deus por cada segundo a mais vivido!</p>
<p style="text-align: center;"><br />
... Deus!?<br />
<br />
...<br />
<br />
.</p>
<p align="center">&#160;</p>
<p style="text-align: center;"><b>Felipe Miranda</b> - samirgalsm@hotmail.com</p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p>
<p align="center">&#160;</p><br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[O inferno de Vathek]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/o-inferno-de-vathek/</link>
         <description><![CDATA[
&#160;
O que dizer dessa obra-prima da literatura de horror? Jorge Luiz Borges disse: "O primeiro inferno realmente atroz da literatura, anunciando os esplendores satânicos de Quincey e Poe, de Baudelaire e Huymans".

Eu digo que William Beckford, com sua obra, VATHEK, conseguiu através de  suas artimanhas literárias seduzir os leitores para os caminhos  proibidos do inferno, até a armadilha fatal do arrependimento, à  semelhança de seu personagem, o califa Vathek, monarca generoso, mas ...<br />
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         <pubDate>Tue, 15 Mar 2011 13:46:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/o-inferno-de-vathek/</guid>
         <category>Artigos</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img height="451" width="320" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000574-1058f11571/livro_vathek.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: left;">&#160;</p>
<p style="text-align: left;">O que dizer dessa obra-prima da literatura de horror? Jorge Luiz Borges disse: "<i>O primeiro inferno realmente atroz da literatura, anunciando os esplendores satânicos de Quincey e Poe, de Baudelaire e Huymans</i>".<br />
<br />
Eu digo que William Beckford, com sua obra, VATHEK, conseguiu através de  suas artimanhas literárias seduzir os leitores para os caminhos  proibidos do inferno, até a armadilha fatal do arrependimento, à  semelhança de seu personagem, o califa Vathek, monarca generoso, mas  imprevisível e inquieto, que &#160;ousou desvendar ciências proibidas e até  obter um trono entre os gênios malignos e outros seres sobrenaturais dos  subterrâneos infernais. Com toda a sua riqueza e poder, nada conseguiu e  teve o mesmo destino de Salomão: sofrer uma eternidade de angústias,  dor, desespero, ódio e loucura.<br />
<br />
Sua mãe, a poderosa feiticeira Carathis, também tentou o mesmo caminho, e  apesar de todo o seu conhecimento nas práticas das ciências proibidas,  teve o mesmo destino do filho, senão pior.<br />
<br />
O autor seduz o leitor com sua estória repleta de magnificiência  oriental e beleza evocativa, detalhes da vida amorosa nos haréns e  incidentes raros, extravagantes, às vezes selvagens, repletos de  entidades sobrenaturais, rituais de magia negra com sacrifícios humanos,  vampiros e luzes misteriosas. Tudo de uma forma tão fantástica (por  vezes exagerada) que até torcemos para que o mal, representado pela  presença soberana e sombria de Vathek e sua mãe feiticeira, saia  vitorioso com suas glórias sem moderações ou limites. Tanto que, ao  terminarmos a leitura do livro, confrontamo-nos com um final que traz  justiça e punição a esses ousados governantes do palácio de Alkoremi,  que dominava toda a cidade de Samarah, e sentimos que o fim veio rápido  demais pois fica aquele desejo de "quero mais". O livro prende a atenção  do início ao fim, e é difícil dar um tempo na leitura, vale a pena  divertir-se com suas poucas mais de cem páginas.<br />
<br />
O autor, Sir William Beckford (1760 -1844) foi um &#160;herdeiro de colossal  fortuna, célebre pelo talento literário e excentricidades que  escandalizaram a sociedade londrina. Expert em cultura e literatura  árabe (que já lia no original desde a adolescência), escreveu vários  livros de viagem e foi grande colecionador de arte. Vathek é a obra que  lhe trouxe a fama e o sucesso literário.<br />
<br />
Não é difícil perceber nessa obra que, a presunção de Vathek e a  ganância de sua mãe Carathis foram as características mais exploradas  pelo autor, demonstrando que para sermos senhores de algo, primeiro  precisamos saber dominar nossos vícios e desejos mais profundos. Nem que  para isso precisemos passar uma temporada no inferno.</p>
<p style="text-align: left;">&#160;</p>
<p style="text-align: center;"><img height="400" width="309" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000575-da78ddb774/foto_vathek.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p>
<p style="text-align: center;">Sr. Arcano - arcanosoturno@hotmail.com</p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p><br />
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      </item>
      <item>
         <title><![CDATA[Os góticos voltaram!]]></title>
         <link>http://www.sombriasescrituras.net/news/os-goticos-voltaram-/</link>
         <description><![CDATA[
&#160;
O organizador M. D. Amado conseguiu dar início a algo que estava faltando no cenário de antologias brasileiras: através de seu site (Estronho), e com o apoio da editora Literata, ele realizou um concurso onde foram escolhidos diversos autores para a composição de uma antologia de poesia gótica. Além disso, convidou autores conhecidos nesse meio que pudessem participar com poemas inéditos, feitos especialmente para a obra. Então nasceu "À sombra do corvo", um livro que mostra em nossa...<br />
Sombrias Escrituras - Literatura sombria e Arte obscura<br /><br />
www.sombriasescrituras.net]]></description>
         <pubDate>Tue, 15 Mar 2011 12:50:00 +0100</pubDate>
         <guid isPermaLink="true">http://www.sombriasescrituras.net/news/os-goticos-voltaram-/</guid>
         <category>Artigos</category>
         <content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img height="200" width="132" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000367-8fb7e90c35/capa_corvo.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: left;">&#160;</p>
<p style="text-align: center;">O organizador M. D. Amado conseguiu dar início a algo que estava faltando no cenário de antologias brasileiras: através de seu site (Estronho), e com o apoio da editora Literata, ele realizou um concurso onde foram escolhidos diversos autores para a composição de uma antologia de poesia gótica. Além disso, convidou autores conhecidos nesse meio que pudessem participar com poemas inéditos, feitos especialmente para a obra. Então nasceu "À sombra do corvo", um livro que mostra em nossa literatura contemporânea os autores sombrios de nosso país.<br />
<br />
Com prefácio de Alessandro Reiffer (autor de "Contos do crepúsculo e do absurdo" e "Poemas do fim e do princípio"), essa obra-prima tornou-se um dos livros mais desejados entre os amantes da tradição gótica no Brasil.<br />
<br />
Cada autor dessa antologia possui seu talento especial dentro da poesia, e vemos através de suas biografias que todos possuem uma relação íntima com o tema, trazendo ao público o que muitos pensavam que não existia nos dias de hoje.<br />
<br />
Comentarei sobre cada trabalho publicado, mas antes, obviamente, falarei do texto que criei para fazer parte dessa obra. Intitulado "As irmãs da misericórdia", meu poema foi inspirado na banda "The sisters of mercy" (tradução do título).<br />
<br />
Depois de ler uma entrevista com o vocalista Andrew Eldritch, dessa que é uma de minhas bandas preferidas, tradicional dos anos 80, não pude deixar de notar sua resposta quando o repórter perguntou o porquê do nome da banda. Andrew respondeu que "As irmãs da misericórdia" era o melhor nome que ele podia dar à sua banda de heavy metal. Eu, particularmente, não sei o que ele via de heavy metal em sua banda, afinal, a sonoridade era e sempre foi de um puro rock dos anos 80. Mas, o que me chamou mais a atenção foi sua explicação sobre a inspiração para o nome, dizendo que ele queria unir dois extremos da realidade: a prostituta e a freira. Daí o nome "As irmãs da misericórdia".<br />
<br />
Gostei da ideia e tentei expressar isso na poesia, publicando na antologia os versos que escrevi ao som de "Floodland", meu álbum preferido dessa banda, e na minha opinião o melhor.<br />
<br />
A construção que utilizei para a métrica foi o verso alexandrino em todas as estrofes, com rimas em AABBCDDC, pois os versos livres do Modernismo não me agradam, apesar de já ter criado muitos poemas livres.<br />
<br />
Mas nem só de música vivem os góticos, e nota-se claramente no livro uma inspiração em autores de renome que fizeram história na literatura através de suas obras sombrias. Percebemos através do título da antologia que a principal inspiração projeta-se na sombra de Edgar Allan Poe (autor do poema "O corvo"). Tanto é que os autores participantes são chamados pela organização da obra de "corvos".<br />
<br />
Sobre a importância literária dessa publicação, eu diria que se mantém entre dois aspectos: o primeiro, sem dúvida, é o fato de que na literatura nada expressa melhor o que vemos e o que sentimos em relação à realidade ao nosso redor do que a poesia; segundo, se a poesia está morta nos dias de hoje, este livro exemplifica o perfil dos autores ligados ao submundo da literatura -- a poesia soturna das ruas noturnas e seu caráter sujo, marginalizada por uma sociedade onde os livros são produtos de consumo, e a arte literária deixa de ser arte para ser uma peça que complete o quebra-cabeça da moda e suas indústrias.<br />
<br />
Sendo assim, o corvo representado pelos autores projeta sua sombra sobre todo o artificialismo de nossa época, trazendo consigo a essência sombria do que vivemos atualmente, e eternizando sua arte literária, papel que a poesia interpreta de forma impecável.<br />
<br />
Sob outro ponto de vista, e não menos contextual, os autores também expressam suas capacidades criativas em torno do tema da antologia, de forma que tudo o que apresentam são experiências de suas viagens ao mundo das sombras. Não possuindo uma ligação concisa com os aspectos determinantes e influenciáveis de uma época, sendo alguns apenas uma demonstração pessoal, fruto de sentimentos íntimos.<br />
<br />
O prefácio de Alessandro Reiffer é o argumento perfeito do que foi gerado. Transcrevo a seguir um trecho que melhor representa a proposta da obra: "Pensam alguns filósofos, alertam alguns artistas que chegamos ao 'fim da história'. Teria o pós-modernismo acabado, ou estaria agora em agonia. E que nada mais seria novo, não haveria mais novos movimentos, novas ideologias ou filosofias, mas que todas as coisas que foram vivenciadas pela humanidade em determinada época convivem agora em um caos universal sem uma linha pré-estabelecida, sem um caminho a ser seguido, como se nada mais fizesse sentido.".<br />
<br />
&#160;O livro, em acabamento perfeito, possui várias páginas pretas e escuras, feito com um capricho perfeitamente adaptável ao seu conteúdo.<br />
<br />
<img height="267" width="506" src="http://files.sombriasescrituras.net/200000573-4e2e14f2f5/convite_corvo.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;">Convite de lançamento do dia 20 de novembro de 2010</p>
<p style="text-align: left;">&#160;</p>
<p style="text-align: left;">Falarei então da primeira autora, <strong>Nine</strong>.<br />
Suas prosas são uma negação da realidade. fechando-se em seu mundo  sombrio, ela glorifica a morte e cospe suas palavras com sentimentos  tenebrosos de imagens que ela mesma cultiva;<br />
<br />
A segunda autora, <strong>Luciana Fátima</strong>, nos brinda com rimas  encantadoras em seu poema "Estige". Fazendo alusão à reencarnação e à  eterna busca de um ser por uma entidade noturna. Um poema que lembra "O  corvo", de Edgar Allan Poe,&#160;através de suas rimas finais "mais uma vez",  "última vez". Uma homenagem bem elaborada que demonstra o talento  criativo da poetisa;<br />
<br />
O autor <strong>Marius Arthorius</strong> com seu poema "Minha morte" lembra o estilo <em>grindcore</em>, com suas tripas e sangue, justificando a morte e o argumento de que todos somos iguais perante o processo de putrefação;<br />
<br />
O autor do prefácio, <strong>Alessandro Reiffer</strong>, faz sua  homenagem à noite como entidade vencedora absoluta de nosso cansaço  oriundo do caos em que vivemos. Finalizando com um poema sobre um  pequeno significado poético ao corvo. Sua passagem na obra mais uma vez  demonstra seu estilo único sobre sua crença "no fim". Trabalhei há algum  tempo em duas matérias que ajudam a compreender melhor o autor. A  primeira, <a href="news/contos-do-crepusculo-e-do-absurdo/" target="_blank">sobre seu livro de contos apocalípticos</a>,  e a segunda com uma pequena entrevista disponível no antigo site da  antologia (infelizmente não consegui achar o link);<br />
<br />
Sobre a quinta autora, <strong>Carolina Mancini</strong>, seus dois  poemas são canções românticas que agradam por seu ritmo e suavidade.  Criativa e detalhista, ela sabe cativar os leitores;<br />
<br />
Já <strong>Dimitry Uziel</strong> usa recursos de construção mecânica,  ou seja, sua poesia flui automaticamente em torno de uma ideia, e ele  parece não ter freios para o seu talento com os versos livres;<br />
<br />
A autora <strong>Cristina Rodriguez</strong> surpreende com seu poema "A  valsa do predador". Dividido em duas partes, é uma expressão fascinante  de morte e renascimento, com pitadas de uma criatividade rara, dessas  que só encontramos em grandes escritores;<br />
<br />
<strong>M. D. Amado</strong>, organizador da obra, também participa com  poemas diversos dos quais destaco "Antes menina". Seu estilo simples e  descontraído de escrever revela um autor de boas influências em temas  sombrios;<br />
<br />
Encontramos em outra autora a poética dos pesadelos. <strong>Tânia Souza</strong>  expressa loucuras, sombras, terror e medo. Seu caldeirão de caos e  fantasia fervilha em frases que, como ela mesma diz, são "descaminhos  letrais";<br />
<br />
<strong>Suzy M. Hekamiah</strong> traz em seu poema uma profundidade  gélida, revelando um desejo quase imperceptível no mundo frio de seu  poema "Rosas do ártico". Aqui há a busca pela relação perfeita, fora dos  domínios caóticos, e por isso mesmo errados, do conturbado modo vazio  de se viver;<br />
<br />
Já a autora <strong>Glaucia Piazzi</strong> expõe todo o seu ódio através do seu poema "Desejo macabro". Um requinte de crueldade justificando seus sentimentos sombrios;<br />
<br />
O autor português <strong>Miguel Raimundo</strong> entrou bem, abrindo  sua participação com o poema "Um corvo na sombra". Seus poemas, pouco  sombrios, são bem articulados e enriqueceram a obra com seu aspecto  lusitano;<br />
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Minha amiga enigmática, <strong>Raven</strong>, optou por explorar significados obscuros através de seu poema "Um corpete para Lilith". Muito bem escrito;<br />
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<strong>Emília Ract</strong>, insana e sensual, expressou-se com poemas que parecem defini-la, mesmo com pitadas de fantasia;<br />
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Já o autor <strong>Adolph Kliemann</strong> explora sua criatividade  sombria, faz das ideias obras novas dentro de sua própria obra poética.  Esbanja talento em todos os versos publicados. Curiosamente, um de seus  poemas também se chama "Estige", mesmo título usado por Luciana Fátima;<br />
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O autor <strong>Rafael de Andrade</strong> empolga com seu poema "O buraco". Um texto simples mas muito criativo, divertindo de forma sombria o leitor com suas metáforas;<br />
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<strong>Gisele G. Garcia</strong> parece dar vida à sua "Virgo Mortificato". Sagrada, imaculada, mágica, e... sombria!;<br />
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A última autora, <strong>Dione Mara Souto da Rosa</strong>, em seu poema  "A rosa do vampiro", é romântica, mágica, gótica. Seu texto tem os  elementos perfeitos de uma obra de requinte e qualidade.</p>
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O organizador M. D. Amado cedeu-me uma pequena entrevista. Confiram:<br />
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<strong>Como é organizar uma antologia poética, principalmente sendo sombria?</strong><br />
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-- Foi uma experiência nova e muito interessante. Um aprendizado eu  diria. Talvez se não fosse de poesias sombrias, eu nem teria arriscado.  As sombrias me encantam e só por isso encarei o desafio. <br />
E como não sou nada técnico, a técnica das escritas não tiveram um peso  grande no critério de seleção. Sentimentos, escrita e claro o objetivo  da antologia é que foram decisivos.<br />
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<strong>Foi muito difícil achar os autores que seriam convidados especiais?</strong><br />
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-- Na verdade não. Já tinha contato com a maioria e tinha lido uma ou  outra coisa de outros poucos. Alguns eram da turma dos contos e eu  desafiei para escrever poesias e deu muito certo.<br />
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<strong>Muitos autores ficaram de fora?</strong><br />
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-- A procura pela antologia não foi tão grande quanto a de contos. Isso  já era esperado. Mas teve uma boa quantidade de autores de fora. Alguns  por não se encaixarem no tema, outros por realmente não terem enviado  boas poesias. E também pelo simples fato de não ter mais vagas  disponíveis, o que foi uma pena em alguns casos.<br />
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<strong>Devido ao sucesso da obra, você pensa em realizar, futuramente, um segundo volume?</strong><br />
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-- Vamos aguardar um pouco mais para ver como se comportam as vendas. As  vendas iniciais foram muito boas, por conta principalmente de autores  que querem organizar noites de autógrafos em suas cidades e que irão  vender para amigos e familiares. Mas a ideia de se fazer outra antologia  existe e inclusive trazendo surpresas agregadas.</p>
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O livro termina com um poema de Alphonsus de Guimaraens, perfeito para  fechar a obra. Lembro que esse poema foi uma sugestão minha para o  livro, e fico feliz pelo organizador ter atendido ao meu pedido. E é com  um trecho dele que finalizo este artigo:</p>
<div style="text-align: center;"><em><strong>"Dizem-me todos que atirar eu devo</strong></em></div>
<div style="text-align: center;"><em><strong>Trevas em fora este agoirento corvo,</strong></em></div>
<div style="text-align: center;"><em><strong>Pois dele sangra o desespero torvo</strong></em></div>
<div style="text-align: center;"><em><strong>Destes versos que escrevo"</strong></em></div>
<p style="text-align: center;">&#160;</p>
<p style="text-align: center;">Sr. Arcano - arcanosoturno@hotmail.com</p>
<p style="text-align: right;">&#160;<a href="products/%c3%a0%20sombra%20do%20corvo/" target="_self">Adquira o livro em nossa livraria sombria</a></p>
<p style="text-align: center;">&#160;</p><br />
Sombrias Escrituras - Literatura sombria e Arte obscura<br /><br />
www.sombriasescrituras.net]]></content:encoded>
      </item>
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