Zumbis - O livro dos mortos
FONTE: Luís Felipe Soares, do Diário do Grande ABC

Caso você conheça pouco sobre essas estranhas criaturas sedentas por carne humana, grande parte das respostas está nas páginas de "Zumbis - O Livro dos Mortos" (Editora LeYa, R$ 44,90, 464 páginas).
A publicação não é um manual de sobrevivência contra esses inimigos, mas conta com vasto material informativo que promete agradar em cheio cinéfilos que acompanham a inusitada carreira cinematográfica dos mortos-vivos.
"Escrevi o livro porque queria lê-lo. Sempre fui fã de filmes de zumbis e um dia me perguntei o que existia neles que me fascinava tanto", explica o jornalista Jamie Russel, autor do projeto.
Adotando estilo dos recentes almanaques, o livro mostra como a lenda sobre a criatura surgiu, os primeiros longas-metragens para o cinema na década de 1930, a popularização dos filmes pelo diretor George A. Romero e a recente fase de projetos para o cinema e televisão. Também há uma filmografia zumbi com títulos lançados no Brasil, como "Cemitério Maldito" (1989), a trilogia CF51Uma Noite Alucinante/CF (1982, 1987 e 1992), "Extermínio" (2002) e "Terra dos Mortos" (2005), e outros que não chegaram oficialmente por aqui. É interessante analisar que o ponto inicial para a disseminação das histórias de zumbis foi o livro "A Ilha da Magia", de 1929, no qual o escritor William Seabrook relata acontecimentos que vivenciou na então misteriosa ilha do Haiti. O conto influenciou o memorável filme "Zumbi Branco" e outras milhares de produções para as telonas.
Apesar de sua popularidade, os monstros sempre figuraram na sombra de outras criaturas pouco mais respeitadas, como vampiros e lobisomens. Seus filmes sem altos investimentos ficaram marcados com a estigma de "filmes B". Segundo Jamie Russel, "os zumbis são uma espécie de operários do cinema de horror. Há milhões deles. Os vampiros são mais como os aristocratas. Não tenho certeza se nós precisamos levá-los mais a sério".
O autor levanta um importante ponto: os mortos-vivos são figuras modernas, originárias do século 20. Personagens importantes como Drácula e Frankenstein, por exemplo, possuem herança literária que lhes dão certo prestígio em comparação aos "concorrentes".
"Quando estava escrevendo o livro, todos diziam: ‘Quem se importa com filmes de zumbis?'. Ninguém mais diz isso. Os zumbis retornaram dos mortos!", afirma Russel.
